Emanuel Furtado: Política e afins – O desconfinamento

Faz hoje uma semana, o presidente do Governo dos Açores deu uma longa conferência de imprensa onde explicou, de forma bem explícita,o modo como iria decorrer o desconfinamento a partir de segunda-feira, 4 de maio.

Tendo em consideração os diferentes “estádios de contaminação” pelo novo coronavírus, nas diferentes ilhas ou grupos de ilhas, haverá diferentes realidades e, por conseguinte, diferentes medidas e calendarização diferente.

Esta calendarização estabelece a distinção entre quatro grupos de ilhas: as ilhas das Flores, do Corvo e de Santa Maria; a ilha da Graciosa; as ilhas Terceira, São Jorge, Pico e Faial; e a ilha de São Miguel. Apesar das diferençasem termos de alívio das medidas de contenção entre estes grupos de ilhas, há duas medidas que são extensíveis a todas elas. A saber: protagonizar uma atuação urgente nos serviços hospitalares a utentes com patologias que não a Covid-19 e recomendar a utilização de máscaras em contexto social.

Esta pandemia veio trazer enormes constrangimentos e veio provocar um assombroso baque à economia global e, consequentemente,à “pequena” economia açoriana. Os sectores mais afetados são os que estão ligados, direta ou indiretamente, ao fenómeno turístico. Desde logo, há a registar a acentuada quebra nas viagens de e para os Açores, encontrando-se os hotéis e demais alojamentospraticamente vazios, a não ser para hospedar quem está em quarentena. Os restaurantes, com a pequena exceção daqueles que fazem “take-away”, estão sem ninguém, só sendo previsível que tudo volte, mais ou menos, ao normal para o ano 2021. E ainda assim não é garantido. Já houve inúmeras empresas que recorreram ao mecanismo de lay-off, pois a sua faturação caiu para valores nunca antes verificados.

Estamos perante uma situação incrivelmente aterradora sob o ponto de vista económico e possivelmente social, e o Governo dos Açores tem-se desdobrado em anunciar e implementar uma panóplia de medidas de apoio às empresas e às famílias, de forma mais alargada do que está a ser implementado no continente.Ainda assim pode não ser suficiente para impedir que algumas ou muitas não vão à falência.

Vai ser preciso um plano de regeneração económica dos Açores de tal ordem e que garanta que ninguém fica para trás.

Como apontamento final, relembrar que,anteontem, dia 5 de maio,comemorou-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa, o qual foi deliberado pela Conselho Executivo da UNESCO, em 18 outubro 2019.