Emanuel Furtado: Política e afins – Desemprego versus emprego

De tempos a tempos fala-se de emprego e de desemprego, de criação líquida de emprego, e de outros fatores com ele relacionados.

A última crise financeira a nível mundial, e que todos nós nos lembramos da sua incidência sobre o país, designadamente, em termos de liquidação de postos de trabalho, atingiu-se uma taxa de desemprego médio de cerca de 17 porcento, mais concretamente no ano 2013 e de acordo com os dados disponíveis.

Ora, os Açores não foram imunes a este galopar do desemprego. E nesse mesmo ano de 2013 registaram-se percentagens médias de desemprego da ordem dos quase 20 porcento.

Contudo, e fruto do trabalho e da perseverança do Governo dos Açores, numa lógica em que ninguém ficaria para trás, desenvolveu uma série de medidasque foram mitigando de forma estrutural, e deste modo, a médio-longo prazo, o desemprego que vivemos nesses tempos. Felizmente, hoje, os níveis de desemprego estão muito mais baixos. Sendo certo que não vivemos num paraíso e os níveis de desemprego não são os mais baixos do país, a verdade é que o percurso foi deveras impressionante. Se pensarmos que o ano 2019 terminou com uma taxa de desemprego da ordem dos 8 por cento, conseguimos, rapidamente, perceber que a redução foi brutal. Cerca de 12 pontos percentuais. E de janeiro de 2019 a janeiro deste ano registou-se uma diminuição de mais de 9 por cento, a segunda maior descida do país. Para além disso, em 2019, batemos o recorde de população empregada, 113 mil açorianos empregados. Não existe qualquer registo, de nos Açores, existirem tantos açorianos empregados. Isto significa uma real e líquida criação de emprego.

Uma das medidas que falei atrás prende-se com a qualificação e formação dos açorianos, em que a Rede Valorizar já certificou cerca de 12500 adultos, nos últimos 10 anos e em diferentes tipos de competências. Por outro lado, e no âmbito da formação profissional, o Governo dos Açores tem investido na diversificação da oferta de cursos de formação profissional, procurando sempre o equilíbrio entre as necessidades do mercado e os interesses e aptidões dos jovens. Desde 2014, e no âmbito do PO Açores 2020, o investimento na formação profissional nos Açores já atingiu os 132 milhões de euros, abrangendo cerca de 11.000 jovens açorianos. Ainda noutro especto que se prende com a formação de ativos, isto é, indivíduos que estão empregados, prevê-se a alcançar 12 mil trabalhadores que vão melhorar as suas competências e que certamente serão uma mais-valia para as empresas onde trabalham e para a economia açoriana em geral.

É certo que houve um enorme investimento por parte do Governo dos Açores neste processo de debelar, de forma estrutural, o desemprego, no entanto, as empresas açorianas também estão de parabéns pelo esforço e contributo para minimizar este flagelo.