Emanuel Furtado: “Política e afins” – Ainda o Lorenzo

No início do mês de outubro, passou pelos Açores um furacão denominado “Lorenzo”.

Nos últimos tempos, este tipo de fenómeno tem sido mais ou menos frequente cá pelas nossas bandas, com maior ou menor intensidade. Este, em concreto, era de intensidade mais elevada que os demais.

Ainda assim, foi perdendo intensidade aquando da sua passagem pelos Açores. Não obstante, o “Lorenzo” causou estragos deveras consideráveis em algumas ilhas do nosso arquipélago, mormente nas ilhas do Faial, Flores e Corvo, tendo provocado mais de duas centenas e meia de ocorrências, e que também obrigou ao realojamento de mais de meia centena de pessoas.

Como é típico e preponderante neste tipo de circunstâncias, o Governo dos Açores deslocou-se para essas ilhas a fim de acompanhar de perto e decidir o que fosse necessário, com maior propriedade, dada a sua presença física.

Nas ilhas das Flores e do Corvo, foi decretada “crise energética”, que vigoraria até 31 de outubro, por via da quase total destruição do porto das Lajes. Situações desta natureza requerem a respetiva solidariedade nacional e, neste contexto, o Governo da República esteve irrepreensível.

Fez deslocar uma comitiva chefiada pelo Ministro-Adjunto e da Economia, em representação do Primeiro-Ministro, acompanhado pelo Ministro do Planeamento, a qual ficou ao corrente da situação, tendo-se prontificado de imediato para colocar em marcha a denominada “solidariedade nacional”.

É caso para dizer que longe vão os tempos em que, a propósito de calamidades similares, quando solicitada a solidariedade nacional, tínhamos um Primeiro-Ministro que disse do alto da sua insensibilidade, dizia: “Vão à banca!”