Emanuel Furtado: A pandemia – continuação

Tendo em conta a situação que o mundo vive atualmente, parece-me conveniente voltar ao assunto da pandemia da Covid-19.

Nunca como hoje se ouviu falar em expressões como: Coronavírus, Sars-Cov-2, Covid-19,Grupo de risco ou vulnerável, Isolamento profilático, Quarentena, Epidemia, Pandemia,casos sintomáticos e assintomáticos, etc.

Além desses, existeuma panóplia de termos matemáticos associados a esta (e outras) situação epidemiológica, que, com grande probabilidade, a maior parte da população nunca antes tinha ouvido falar, tais como: curva exponencial, curva logística, curva de crescimento, ponto de inflexão, o “pico” da curva, achatamento da curva, entre outros…

Atualmente, o que está a acontecer no mundo?

Existem três situações bastante distintas:

  • os países onde se se nota um abrandamento do contágio, o tal ponto de inflexão já foi atingido ou ultrapassado, o que significa que o contágio já não se verifica de forma exponencial. É o caso da maior parte dos países asiáticos, com a China a liderar esta tendência;
  • os países que estão quase a atingir o ponto a partir do qual o crescimento abranda. Neste caso, gostaria de ser mais prudente. Parece-me ser o caso de países como a Itália, e a Espanha, a França, a Suíça, entre outros. Portugal poderá incluir-se neste grupo. Deve estar, por dias, esse tal ponto de inflexão;
  • os países que ainda verão os seus casos a crescer exponencialmente durante mais algum tempo. À cabeça estão os Estados Unidos da América, o Reino Unido, o Brasil, entre muitos outros. Existem variadíssimas razões para este facto.

Em Portugal, e tendo em conta a evolução dos últimos dias, com exceção do dia de ontem (teve um crescimento de 14,7%), em que o crescimento médio observado tem sido da ordem dos 26%, parece-me que o tal ponto de inflexão está a poucos dias de ocorrer.

De ontem para hoje, realizaram-se 5681 testes dos quais 633 deram positivo. No dia anterior, tinham sido realizados um terço desse valor. Isto é um bom sinal, dado que estão a ser feitos cada vez mais testes e a percentagem de casos positivos está a diminuir. Neste caso, em cada 9 testados, 1 é positivo.

Relativamente aos Açores, e tendo em conta que os casos positivos começaram a aparecer muito mais tarde, não se consegue prever com mínimos de exatidão pelas razões que referi no último artigo. Mas há algo que é inegável! O Diretor Regional da Saúde, que todos os dias faz uma conferência de imprensa para atualizar a evolução da pandemia nos Açores, explica de forma clara e inequívoca todos os aspetos relacionados com esta crise, denotando uma competência, uma serenidade e uma assertividade incríveis.

Ainda assim, entendo que as duas principais ações que o país, na sua globalidade, teve ter em consideração são, em primeiro lugar, testar o máximo de casos suspeitos possíveis, e em segundo, também todos nós termos interiorizado que o isolamento social é essencial!

Por isso, fique em casa pela nossa saúde.