Os cinco homens, três dos quais em prisão preventiva em São Miguel, e que integram a claque Panteras Negras, sendo um deles o líder, começaram a ser julgados pelo tribunal Judicial de Ponta Delgada, pela prática, em coautoria, de crimes de ofensas à integridade física qualificada, dano e ameaça agravada.

Este caso remonta a 2018 e em causa estão alegadas agressões a funcionários e ao proprietário de um restaurante no concelho de Ponta Delgada, na véspera do jogo de futebol entre o Santa Clara e o Boavista, que decorreu na ilha de São Miguel, em agosto.

Entre os arguidos está ainda um agente principal da PSP e um segurança privado, que pediram que o julgamento decorresse sem a sua presença.

Presentes hoje estiveram o líder dos Panteras Negras e outros dois elementos que integram aquela claque, os três detidos preventivamente.

Em audiência de julgamento um dos arguidos, que terá dado início à discussão relacionada com a suposta demora no atendimento, pediu desculpa e disse estar “arrependido”, mas frisou que “nem tudo” o que consta da acusação “é verdade”.

Salientando que “há anos” que acompanha a claque, o arguido disse que deu “dois socos na cara” ao funcionário depois de este lhe ter “atirado com pratos” pelo facto de o adepto do Boavista ter interpelado o empregado com “um toque no ombro”.

“Estava tudo calmo e a confusão só se deu após palavras entre nós. Depois, aquilo foi tudo muito rápido”, explicou, acrescentando que os dois depois envolveram-se fisicamente, tendo o arguido ficado “desorientado”.

O homem, que confirmou que no grupo dos cinco adeptos do Boavista estavam “mais quatro pessoas da ilha”, relatou que após “a confusão” que se gerou não se lembra de mais anda, assegurando que foi o líder da claque que disse para “pararem”.

Contudo, o Ministério Público sustenta que as agressões apenas terminaram quando o líder da claque, “após assobiar para os demais arguidos”, ter feito “um gesto com as mãos, colocando-as em forma de “T” – que no desporto tem o significado de intervalo/pausa – e, em tom de voz alto, ter dito “já chega”.

O texto da acusação descreve uma sucessão de alegadas agressões (“socos e pontapés”) a funcionários do restaurante “em ato contínuo, no âmbito da atuação conjunta” dos arguidos, apontando que foram arremessados objetos e peças de mobiliário do restaurante.

Hoje, em audiência de julgamento, um segundo arguido, que integra a claque Panteras Negras, e detido no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, pediu, emocionado, desculpa aos ofendidos, admitindo que ele e os seus amigos se “excederam”.

Este homem confirmou algumas agressões a dois empregados do restaurante, mas rejeitou que tenha arrastado um funcionário.

Seis meses após o sucedido, o arguido frisou que está arrependido e que a sua família também “está a passar mal” devido à situação.

Já o líder da claque alega que apenas tentou “acalmar os ânimos” e que foi “o som de pratos a partir” que lhe chamou a atenção.

“Tentei separar. Era uma confusão total. Era eu que estava a separar aquilo tudo”, reforçou, descrevendo: “olhei à volta e vi os nossos e outros que não conheço”.

O líder da claque recusou ter feito alegadamente sinais para os outros arguidos, enaltecendo a postura dos Panteras Negras.

“O nosso registo fala por si. Na Madeira recebemos o prémio de melhor claque do país”, sustentou.

A próxima audiência de julgamento está marcada para segunda-feira, onde serão feitas as alegações.

O MP aponta o contexto da atuação dos arguidos, a gravidade das condutas e as lesões decorrentes das mesmas, bem como os antecedentes criminais dos homens.

“Os arguidos agiram em comunhão de intentos e em conjugação de esforços, motivados meramente pelo que consideraram ser um atraso injustificado do serviço do restaurante (…), sustenta a acusação.