Dezenas de pessoas manifestam apoio a Maduro junto a local de reunião internacional

Dezenas de pessoas concentraram-se hoje em Montevideu (Uruguai) para apoiar “o povo e o governo” de Nicolás Maduro junto ao local que esta quinta-feira recebeu a primeira reunião ministerial do Grupo de Contacto Internacional para a Venezuela.

“Estamos aqui porque queremos oferecer a maior solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela, que consideramos ser um governo legítimo, e o povo venezuelano é quem deve decidir, a seu tempo, se quer mudar ou não”, afirmou, em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, Ricardo Cohen, membro do Partido Comunista Revolucionário do Uruguai.

O protesto ocorreu junto da Torre Executiva, o principal centro administrativo do Uruguai e o local escolhido para acolher a reunião do grupo de contacto que junta representantes da União Europeia (UE), de Estados-membros do bloco comunitário e de países latino-americanos.

Na ação, várias pessoas exibiam bandeiras venezuelanas. O local, cujo acesso foi condicionado, foi vigiado pelas forças policiais.

O grupo de contacto tem como meta definir um plano, em 90 dias, para um futuro processo político pacífico na Venezuela.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a italiana Federica Mogherini, assegurou hoje que o objetivo do grupo “não é impor processos ou soluções aos venezuelanos”, porque a resposta para resolver a crise “deve vir do povo da Venezuela”.

“O objetivo não é estabelecer uma mediação ou uma negociação direta, mas acreditamos que uma iniciativa internacional é importante para acompanhar uma saída pacífica e democrática através de eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis”, disse a representante, na abertura da reunião.

O porta-voz do protesto, também coordenador nacional da Unidade Popular, sublinhou que a convocação para eleições na Venezuela não pode ser “uma imposição internacional de países”.

“Se é o povo a decidir, de acordo com a sua Constituição, se é da sua própria autodeterminação, então é para seguir em frente! Se não, há eleições impostas de fora”, acrescentou Cohen.

O membro do Partido Comunista Revolucionário do Uruguai defendeu ainda que as eleições presidenciais que deram a vitória a Maduro para um novo mandato de seis anos (2019-2025) foram “livres e credíveis”.

O apoiante de Maduro criticou Juan Guaidó — que se autoproclamou em janeiro Presidente interino venezuelano -, classificando o presidente da Assembleia Nacional (parlamento) como “uma pessoa que se declarou Presidente sem nenhum poder real”.

Nesta primeira reunião ministerial do designado Grupo de Contacto Internacional, a UE está representada por Mogherini e por oito Estados-membros do bloco comunitário (Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia).

Portugal está representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Participam, do lado da América Latina, Bolívia, Costa Rica, Equador, Uruguai e México.

A tensão política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou Presidente interino da Venezuela e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Após a sua autoproclamação, Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, de 56 anos, chefe de Estado desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, no qual a oposição tem maioria, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

Desde então, Juan Guaidó tem vindo a ganhar o reconhecimento de vários países, nomeadamente de Portugal.

A crise política na Venezuela, onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

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