Detidos engenheiros que atestaram segurança da barragem no Brasil onde ocorreu uma rutura

Dois engenheiros que atestaram a segurança da barragem em Brumadinho, Brasil, onde ocorreu uma rutura, foram detidos hoje de manhã, anunciaram as autoridades brasileiras.

O acidente provocou 65 mortos e 279 desaparecidos, segundo as últimas informações da Defesa Civil de Minas Gerais.

Os engenheiros Makoto Namba e André Yum Yassuda foram detidos na cidade de São Paulo, levados para a sede da Polícia Civil e deverão ser encaminhados para o estado de Minas Gerais, onde ocorreu a rutura da barragem.

Segundo informações do portal de notícias G1, a Polícia Federal em São Paulo também participa na operação e cumpre, neste momento, dois mandados de busca e apreensão em empresas que prestaram serviços para a Vale.

Os investigadores apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, foram manipulados ilegalmente.

No início da manhã, a mineradora Vale divulgou uma nota a dar conta que está a colaborar com as autoridades para esclarecer os factos.

“Referente aos mandados cumpridos esta manhã, a Vale informa que está colaborando plenamente com as autoridades. A Vale permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos factos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”, referiu-se no comunicado da empresa.

Na sexta-feira, a rutura da barragem da empresa de mineração Vale no município de Brumadinho, na região metropolitana da cidade brasileira de Belo Horizonte, causou uma avalanche de lama e resíduos minerais.

Privatizada pelo Governo brasileiro em 1997, a Vale é uma das maiores empresas do Brasil e uma das principais mineradoras do mundo, com operações em mais de 30 países.

Além de ser a maior exportadora mundial de ferro, é uma das principais produtoras de níquel e outros minerais, como potássio e cobre e é considerada uma empresa estratégica pelo Governo brasileiro, que tem o controlo uma parte substancial das ações com direito a voto.

A empresa já esteve envolvida há três anos numa outra catástrofe semelhante ocorrida numa das minas da sua subsidiária Samarco no estado de Minas Gerais, na cidade de Mariana, na qual morreram 19 pessoas após a rutura de uma outra barragem.