“É importante que as vozes de todos sejam ouvidas e exprimidas no ato de voto. Gostava de encorajar os nossos compatriotas luso-canadianos a exercerem este direito e privilégio que têm de poder votar”, disse hoje à agência Lusa Alexandra Mendes, de 55 anos, natural de Lisboa.

A luso-canadiana foi eleita em 2015 no distrito eleitoral de Brossard-Saint-Lambert com 28.819 mil votos (50,3%) para um segundo mandato, depois de, entre 2008 a 2011 ter representado o distrito de Brossard-La Prairie.

Também Peter Fonseca, de 53 anos, natural de Alcanena (distrito de Santarém), no Canadá desde 1969, está a incentivar os luso-canadianos a votarem porque depois “não se podem queixar”.

“Quero advertir a todas a votarem nestas eleições, um direito de todos os cidadãos canadianos. Quem não vota depois não pode queixar-se”, afirmou.

O antigo atleta olímpico, que representou o Canadá nos Jogos Olímpicos de Atlanta (Estados Unidos), foi eleito em 2015 com 28.105 mil votos (54,2%) pelo distrito eleitoral de Mississauga East – Cooksville (Grande Área de Toronto), em 2011 tinha sido derrotado pela diferença de 670 votos (um por cento).

“As expectativas são muito positivas, os eleitores têm demonstrado muito apoio pois querem que o país evolua. Economicamente estamos bem com políticas positivas para a terceira idade, estudantes, famílias, tudo isso coloca o Canadá num lugar muito bom no mundo”, afiançou.

Quanto a Alexandra Mendes, também está confiante quanto à reeleição pela receção “porta a porta, nas atividades realizadas até aqui e na participação positiva nos debates”, não querendo “presumir qualquer resultado, pois serão os eleitores a fazer as decisões na segunda-feira”.

No distrito de Brossard-Saint-Lambert, com 107 mil habitantes, 1.000 são portugueses, o meio ambiente foi o tema dominante da campanha eleitoral.

“Definitivamente as pessoas têm uma vontade de saber em como o próximo governo irá abordar as questões relativas às mudanças climáticas e à proteção do meio ambiente porque somos um círculo eleitoral muito diversificado etnicamente. Temas relacionados com a imigração também preocupam os locais”, acrescentou a candidata.

No distrito eleitoral de Mississauga East – Cooksville existem cerca de 120 mil residentes, 7.000 são portugueses e lusodescendentes, Peter Fonseca durante a sua campanha destacou temas como a habitação a preços acessíveis e políticas que podem ajudar os residentes a melhorar a qualidade de vida diária.

“Os eleitores querem saber qual será o partido que os vai ajudar mais para poderem continuar a ter uma vida de qualidade, conseguirem colocar dinheiro de lado para a reforma, e terem oportunidades para as crianças. O partido liberal está a fazer isso tudo. Quando falamos do setor imobiliário, queremos tentar encontrar formas de as pessoas adquirirem uma casa, em termos de taxas baixas os impostos para a classe média”, apontou.

As várias sondagens apontam um empate técnico entre Liberais (no poder) e conservadores, com os luso-canadianos na expectativa reconhecendo que o ideal seria uma maioria parlamentar porque “ainda há muito trabalho a fazer”.

Os luso-canadianos Mário Silva (2004 a 2011) e Keith Martin (1993 a 2011) já exerceram funções como deputados no parlamento de Otava, eleitos pelo Partido Liberal do Canadá.

A 43ª eleição geral federal do Canadá tem lugar esta segunda-feira.

O governo canadiano calcula que existem mais de 480 mil portugueses e lusodescendentes no país.