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Os deputados municipais do PSD e do CDS-PP na Praia da Vitória, Açores, defenderam hoje que o PS deve um pedido de desculpas à população por “má gestão, despesismo e casos de polícia” quando liderou a autarquia.

“O PS está a tentar tapar o sol com a peneira, utiliza argumentos de quem não tem mais argumentos (…) Parece-nos que o que têm de fazer agora é apontar soluções e pedir desculpa aos praienses por tudo o que lhes fizeram e por tudo o que vai acontecer, por um futuro que está envolto numa nebulosa”, afirmou a líder da bancada municipal do PSD na Praia da Vitória, Judite Parreira, numa conferência de imprensa conjunta com o CDS-PP.

O executivo camarário da coligação PSD/CDS-PP, que tomou posse em outubro de 2021, encomendou uma auditoria às contas do grupo municipal da Praia da Vitória, referente ao período entre 2016 e 2021, em que o PS liderava a autarquia.

Na terça-feira, a presidente do município, Vânia Ferreira, apresentou as conclusões da auditoria, em conferência de imprensa, revelando que foram detetadas suspeitas de ilegalidades e que a “situação grave” das contas vai obrigar a um processo de recuperação financeira.

Para os deputados municipais do PSD e do CDS-PP, a auditoria confirmou a “situação catastrófica” em que se encontravam as contas do grupo municipal, com um endividamento que ultrapassa em 200% o limite permitido por lei.

“Os resultados da auditoria são categóricos: má gestão, despesismo e casos de polícia são as marcas dos últimos 10 anos de governação do PS na câmara da Praia da Vitória”, frisou Judite Parreira.

A dirigente social-democrata salientou que o PS “chegou ao ponto de gastar 4.000 euros em canetas de luxo para oferecer não se sabe bem a quem” e pagou “quase um milhão de euros em faturas que não estão registadas nas Finanças”.

A deputada municipal lembrou que o PSD já alertava, desde 2006, para uma “engenharia financeira muito complicada” no município, referindo o uso de empresas municipais, associações, sociedades e cooperativas que “serviam apenas para obter empréstimos à margem da lei”.

“Fomos acusados de profetas da desgraça, de não saber fazer contas, de inaptos pelos executivos socialistas e agora a verdade vem ao de cima, porque este relatório da auditoria vem pôr a nu tudo aquilo que já vinha sido dito há muito tempo”, salientou.

Judite Parreira acusou o Governo Regional, na altura do PS, de fazer “vista grossa” à situação, alegando que a Inspeção Regional da Administração Pública “nunca fez qualquer ação inspetiva” ao município.

O relatório da auditoria vai ser enviado ao Tribunal de Contas, ao Ministério Público, à Polícia Judiciária, à Direção-Geral das Autarquias Locais e ao Governo Regional.

“Espero que sejam apuradas responsabilidades e que os responsáveis sofram as devidas consequências”, sublinhou a deputada municipal do PSD.

Em reação à auditoria, o ex-autarca socialista Roberto Monteiro disse que, em 2005, o partido herdou um passivo de 15 milhões de euros na autarquia, mas Judite Parreira alegou que eram apenas sete milhões de passivo e dois de dívidas a fornecedores.

“A dívida não é sequer comparável e a situação hoje é completamente diferente”, vincou, lembrando que o PS também encomendou uma auditoria às contas em 2005.

PSD e CDS vão requerer a realização de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal da Praia da Vitória “para analisar a situação e encontrar as melhores soluções”.

A dirigente social-democrata apelou à participação de todos os deputados municipais na procura de soluções, mas admitiu que possam ser ter de ser adotadas “medidas mais drásticas e mais penalizadoras”

“Vão ter de ser tomadas medidas que nenhum executivo camarário gostaria de tomar”, frisou.

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