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Os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu insistiram hoje em aumentos no acréscimo ao salário mínimo nos Açores, justificando que a proposta “ganha ainda maior oportunidade” no contexto atual de “aumento brutal do custo de vida”.

“No contacto com os comerciantes ficou plasmado que as pessoas têm hoje a carteira cada vez mais vazia e custa mais chegar ao fim do mês com os salários atuais ou pensões. No atual contexto, esse aumento no salário mínimo regional ganha maior pertinência tendo em conta o aumento do custo de vida”, disse à agência Lusa o deputado do PCP no Parlamento Europeu João Pimenta Lopes.

Sandra Pereira e João Pimenta Lopes terminam hoje uma jornada de trabalho subordinada ao tema “Contigo todos os dias a tua voz no Parlamento Europeu”, uma iniciativa que vai percorrer o continente e as Regiões Autónoma dos Açores e da Madeira.

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Nos Açores, os dois parlamentares visitaram as ilhas de São Jorge, Faial, Terceira e São Miguel.

João Pimenta Lopes sublinhou que, nos contactos com trabalhadores daquelas ilhas, foi sinalizada “uma situação generalizada” de “baixos salários”, de “generalização do salário mínimo como referência dos rendimentos” e das “baixas pensões e reformas” num quadro do “aumento brutal do custo de vida”.

“É neste quadro que o PCP tem vindo a apresentar propostas concretas no sentido do aumento do salário mínimo nacional e, em particular na Região Autónoma dos Açores, a necessidade do acréscimo ao salário mínimo regional passar a ser 7,5%, uma proposta que ganha ainda maior oportunidade neste contexto atual de subida da inflação e do custo de vida”, sustentou.

O deputado do PCP no Parlamento Europeu assinalou ainda as “insuficiências” nos transportes nos Açores.

“Nos contactos estabelecidos foi frequente a referência às insuficiências de transportes públicos nas ilhas e na oferta nas ligações entre as ilhas por via aérea e marítima. E essas preocupações aumentam tendo em conta as perspetivas de reestruturação da SATA (transportadora aérea açoriana) e o que daí possa vir”, referiu João Pimenta Lopes.

A este propósito, o deputado lembrou as propostas que o PCP tem apresentado no plano regional e no Parlamento Europeu.

“No plano regional é necessária uma melhor articulação entre os dois operadores públicos e a criação de um bilhete inter modal entre ilhas para facilitar a articulação entre os sistemas diferenciados de transporte e o acesso, reduzindo os custos da deslocação entre ilhas”, explicou João Pimenta Lopes.

O deputado lembrou ainda que o PCP tem apresentado no Parlamento Europeu uma “sucessiva” proposta para “um POSEI [Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas] transportes que possibilite a articulação dos fundos europeus com vista à melhoria das condições de mobilidade na região”.

Os custos “elevados” das rendas e “a dificuldade no acesso à habitação” em várias ilhas açorianas, nomeadamente “na malha mais urbana”, exigem “medidas de regulação do mercado” e “respostas que garantam ainda a criação de habitação a preços controlados”, defendeu também o deputado, que apontou para “a insuficiência” de profissionais de saúde nos hospitais e centros de saúde.

Já nos contactos com o setor da fileira do leite, João Pimenta Lopes referiu que “os pequenos e médios produtores confirmaram os preços baixos pagos à produção”.

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