Pub

O deputado do Chega/Açores, José Pacheco, rejeitou hoje que o partido saia prejudicado após um deputado ter passado a independente, afirmando que a direção regional estava num “grau de autodestruição terrível” com o anterior líder, Carlos Furtado.

Questionado pelos jornalistas sobre as consequências para o Chega/Açores da passagem de Carlos Furtado a deputado independente, José Pacheco afirmou que a perda de um deputado regional “não irá prejudicar” o partido.

“Penso até que, se a situação se mantivesse nos moldes em que estava, num grau de autodestruição terrível que o Chega estava a ter, aí sim prejudicava muito”, declarou.

Pacheco falava aos jornalistas pela primeira vez após Furtado, ex-líder do Chega/Açores e deputado eleito pelo partido na Assembleia Legislativa Regional, ter perdido a confiança do líder nacional do partido, no fim de uma visita à feira agrícola de Santana, no concelho da Ribeira Grande.

Pub

A 14 de julho, o presidente do Chega, André Ventura, anunciou a retirada de confiança política a Carlos Furtado, um dia após Furtado se ter manifestado sem condições para continuar a liderar o partido na região.

Carlos Furtado avançou que não iria renunciar ao mandato de deputado no parlamento açoriano, como pretendia o líder nacional do partido, mantendo-se na Assembleia Legislativa Regional dos Açores como independente.

O agora único deputado do Chega no parlamento açoriano disse não temer impactos negativos junto do eleitorado devido à “polémica” com Carlos Furtado.

“O eleitorado sabe separar isso. Não vejo que isso seja um drama. É a vida dos partidos, é a alegria dos partidos. Eu até acho que isso é positivo, é dinâmico, senão a gente pega todos no sono e ninguém quer pegar no sono. Esta terra tem de acordar”, afirmou.

José Pacheco anunciou que vai ser o candidato do partido à Câmara Municipal da Lagoa, em São Miguel, nas eleições autárquicas de setembro.

O deputado revelou também que Fernando Mota, que já fez parte da direção regional do Chega/Açores, vai ser o candidato à Câmara Municipal da Ribeira Grande.

“André Ventura [líder nacional do Chega] pediu-me para salvar este processo, que estava completamente desgraçado. Não havia nada feito, ao contrário do que foi dito”, avisou.

“Tanto é verdade que há pessoas da própria da direção regional recentemente eleita que nem foram convidados para fazer parte das listas. Isso é inaceitável”, afirmou, referindo-se ao processo autárquico.

O PS venceu em 25 de outubro de 2020 as eleições legislativas regionais, mas perdeu a maioria absoluta que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação. A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o PSD um acordo de incidência parlamentar com o Iniciativa Liberal (IL).

Com o apoio dos dois deputados do Chega e do deputado único do IL, a coligação de direita somava 29 deputados na Assembleia Legislativa dos Açores, um número suficiente para atingir a maioria absoluta, o que levou à indigitação de José Manuel Bolieiro como presidente do Governo Regional, no dia 07 de novembro de 2020.

Pub