Carlos César usou esta imagem em que surge acompanhado de Mota Amaral, histórico social-democrata e primeiro presidente do executivo regional, e Vasco Cordeiro, chefe do governo açoriano desde 2012
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O presidente do Partido Socialista, Carlos César, reagiu hoje na sua página de Facebook, ao artigo de opinião de Mota Amaral, que foi publicado em alguma imprensa açoriana e replicado pela Lusa, onde traçou alguns cenários pós-eleitorais.

O histórico do PSD, Mota Amaral disse que o PS perdeu deputados, perdeu votos, perdeu percentagem, ficando aquém de 40%.

“Não diz que o PS venceu em 7 das 9 ilhas, que venceu em 12 dos 19 concelhos, que venceu em 101 das 156 freguesias. Que teve mais deputados, mais votos e mais percentagem do que o PSD, apesar do desgaste que comportam 24 anos no governo e da actual oferta partidária diferenciada”, lembrou o eis Presidente do Governo dos Açores.

“Vasco Cordeiro tem, como já disse, uma missão complexa à sua frente para formar governo e, mais ainda, o direito e o dever, determinado pelos resultados do sufrágio, de o fazer. Fê-lo, na própria noite eleitoral, na procura de uma solução de estabilidade e de segurança para os Açores. Mas essa é, também, uma responsabilidade de outros partidos que queiram, efetivamente, colocar os Açores e os açorianos primeiro”, escreveu César, também antigo presidente do Governo dos Açores.

O Presidente honorário dos socialistas açorianos prossegui dizendo que “não creio que o Presidente Mota Amaral tenha feito este seu artigo preocupado comigo. Não creio que tenha vagueado na sua análise só para estranhar não me ter ouvido na noite eleitoral, na minha qualidade de presidente do partido a nível nacional, em que acha que fui substituído por António Costa. Ele sabe que, tendo eu sido presidente do governo e líder regional do PS durante muitos anos, o meu lugar, num momento que se adivinhava menos feliz do que em anteriores eleições, era, primeiro, ao lado dos meus mais próximos – os socialistas dos Açores. Foi o que decidi, e bem, fazer”.

Num texto longo César diz ainda que “não creio, também, que se tenha estendido na prosa para criticar o “Governo de António Costa/Carlos César”. Ele sabe que o dito governo não deitou “água a pintos”, para reutilizar a sua expressão, para, naturalmente com omissões, apoiar e ajudar os Açores ao longo destes anos – a tal ponto que o presidente Mota Amaral já esqueceu as humilhações, agruras e vexames que sofremos na Região com os governos da República do PSD, desde Cavaco Silva a Passos Coelho. O Orçamento de Estado que está, justamente agora, em apreciação no parlamento nacional, é prova do empenhamento do governo de António Costa”.

Mas, então, o que quis fazer valer na sua análise, o sempre activo e preponderante presidente honorário do PSD/A, para além da sua adivinhação sobre o que vai na cabeça do PAN, do IL, do PPM, do Pedro, do Nuno ou do Paulo? O presidente Mota Amaral quis, sim, aplacar a briga, que já vai no seu partido, entre os que, sôfregos, querem ir à força para o governo, e os que, como ele, acham melhor o PSD não arriscar. Tudo, claro, pensando nos superiores interesses dos Açores, satirizou.

No final do texto, Carlos César diz ainda num post scriptum, que Vasco Cordeiro “tem, uma missão complexa à sua frente para formar governo, e, mais ainda, o direito e o dever, determinado pelos resultados do sufrágio, de o fazer. Fê-lo, na própria noite eleitoral, na procura de uma solução de estabilidade e de segurança para os Açores. Mas essa é, também, uma responsabilidade de outros partidos que queiram, efectivamente, colocar os Açores e os açorianos primeiro”.

César sublinhou que o CDS “é, historicamente, um interlocutor privilegiado do PS na região, num diálogo continuado e com provas dadas”, Carlos César lembra que mesmo um eventual apoio dos centristas “não basta” para um executivo estável.

“Qualquer que seja o governo, deve evitar soluções precárias. O PS/Açores, melhor do que eu, pela sua experiência recente, saberá dialogar e decidir, tanto mais que é um partido com capacidade única de interlocução à esquerda e à direita e, também por isso, potencial de maior estabilidade”, advoga.

Referindo-se ao PSD, liderado por José Manuel Bolieiro, César acrescenta, “só poderá constituir governo com cinco partidos e associado por alguma forma ao Chega”, que elegeu dois deputados.

“Será capaz de chegar a tanto?… E, mesmo que assim chegue, por quanto tempo? Constituir governo, neste contexto, nos Açores, tem de ser um ato de grande responsabilidade e de futuro – para o PS, como para todos os outros partidos. Ficando no governo ou na oposição, só devem dormir descansados os que tenham tentado colocar os Açores primeiro”, insiste.

“Constituir governo, neste contexto, nos Açores, tem de ser um acto de grande responsabilidade e de futuro – para o PS, como para todos os outros partidos. Ficando no governo ou na oposição, só devem dormir descansados os que tenham tentado colocar os Açores primeiro”, concluiu.

O Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores estipula que o presidente do Governo Regional seja nomeado pelo representante da República “tendo em conta os resultados das eleições”, uma formulação que, este ano, é particularmente complexa.

O PS venceu as eleições regionais de domingo, elegendo 25 dos deputados à Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS, Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de governação na região, visto uma junção de todos os parlamentares eleitos dar 29 eleitos (o necessário para a maioria absoluta).

A lei indica que o representante da República, Pedro Catarino, nomeará o novo presidente do Governo Regional “ouvidos os partidos políticos” representados no novo parlamento açoriano.

Segundo indicação dada à agência Lusa por fonte do gabinete do representante da República, Pedro Catarino só poderá ouvir os representantes dos partidos políticos eleitos este domingo uma vez publicados os resultados oficiais em Diário da República, o que ainda poderá demorar alguns dias.

A assembleia de apuramento geral dos resultados só inicia os seus trabalhos “às 09:00 do segundo dia posterior ao da eleição” (terça-feira), tendo de concluir o apuramento dos resultados oficiais “até ao 10.º dia posterior à eleição”.

Esses dados serão posteriormente enviados à Comissão Nacional de Eleições (CNE), que terá oito dias para enviar “um mapa oficial com o resultado das eleições” para publicação em Diário da República.

Durante estes dias, é expectável que os partidos encetem negociações para eventuais formações de governo – juntando várias forças ou apoiado parlamentarmente – que possam ser apresentadas a Pedro Catarino.

Depois da tomada de posse do próximo Governo dos Açores, haverá um prazo máximo de 10 dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia Legislativa.

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