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Os CTT – Correios de Portugal, em parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, apresentaram uma emissão filatélica comemorativa dos 500 anos das romarias quaresmais na ilha de São Miguel, nos Açores.

Na sessão de lançamento do selo, no Santuário de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, recordou que “foi devido ao terramoto [‘Subversão’] de Vila Franca do Campo, ocorrido em 1522, que surgiu a tradição das romarias”.

Citado em nota de imprensa, o autarca afirmou que, “na altura, muitos acreditavam que o fenómeno tinha sido um ‘castigo de Deus’ e viraram-se para a religiosidade para não continuarem a ser punidos”.

Ricardo Rodrigues lembrou também que a tradição dos romeiros de São Miguel “é uma marca indelével da religiosidade açoriana, sobretudo micaelense, mas não só”.

Também citada na nota, a diretora dos Correios dos Açores, Fátima Albergaria, referiu que a coleção é composta por três selos que irão circular a nível nacional e internacional.

Cada selo tem uma tiragem de setenta e cinco mil unidades, a que acresce o bloco comemorativo com a imagem do Santuário de Nossa Senhora da Paz e uma pagela com conteúdo da responsabilidade do professor Teixeira Dias.

As romarias quaresmais de São Miguel, que mobilizam cerca de 2.500 homens, celebram este ano 500 anos, uma efeméride que ficou adiada para 2023.

Os primeiros ranchos das tradicionais romarias da Quaresma em São Miguel saem todos os anos para a estrada no fim de semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa.

Durante aquele período, os romeiros percorrem muitos quilómetros a pé durante uma semana, usando um xaile, um lenço, um saco para alimentos, um bordão e um terço, num percurso de oração, fé e reflexão, entoando cânticos e rezando.

Durante a semana em que estão na estrada, os romeiros dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar nas localidades logo a seguir ao por do sol.

A média de elementos de cada grupo ronda os 50 homens e as romarias devem cumprir um percurso sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de São Miguel.

As romarias quaresmais, segundo a tradição, tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

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