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O primeiro-ministro, António Costa, avisou este sábado que o próximo Orçamento do Estado “só chumba se BE e PCP somarem os seus votos à direita” e disse ter dificuldade em perceber como é que a esquerda não apoia este documento.

Durante um encontro digital promovido pelo PS, e no qual participou enquanto secretário-geral socialista, António Costa assumiu não estar tranquilo, uma vez que há “um grau de indefinição” em relação ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) que “não é saudável para o país”, mas garantiu que está de “consciência tranquila” com aquilo que o Governo tem feito sobre esta questão.

“Este orçamento só chumba se o BE e o PCP somarem os seus votos à direita”, avisou.

António Costa afirmou que passa o tempo “a ouvir os partidos à esquerda do PS a dizer que o PS se junta à direita”.

“Vamos lá ver, basta eles não se juntarem à direita e o orçamento passa”, desafiou.

O primeiro-ministro reforçou ainda a ideia de que a proposta orçamental do Governo que deu entrada na Assembleia da República “já traduz muito do trabalho desenvolvido na negociação” com BE, PCP, PEV e PAN.

“Que esses partidos desejem ainda algumas melhorias, é normal que o façam e com certeza a negociação prosseguirá até à votação final global. Agora, com toda a franqueza, eu devo dizer que não percebo como é que um partido à esquerda recusa na generalidade este orçamento”, condenou.

Questionado sobre a possibilidade de vir a ser necessário um orçamento retificativo no próximo ano, António Costa fez um aviso sobre o OE2021: “sem este orçamento não é possível nem dita nova prestação social, nem responder a estas novas contratações [do SNS] porque o teto da despesa não aumenta e não é com o teto da despesa de 2020 que nós conseguimos responder à crise em 2021”.

“Se nós não tivermos um novo orçamento e ficarmos a viver a duodécimos do orçamento de 2020, não vamos poder gastar em 2021 o que o país precisa que se gaste para responder à crise económica, social e sanitária”, alertou.

O primeiro-ministro aproveitou ainda para criticar as declarações do deputado do BE José Manuel Pureza, que disse “com muita ligeireza: isso não há problema nenhum, o Governo pode viver em duodécimos”.

“Não é só um problema de instabilidade, é um problema de que a viver em duodécimos, com o orçamento de 2020, nós não respondemos à crise”, atirou.

Citando o ministro das Finanças, João Leão, António Costa admitiu que, “no quadro de incerteza” atual, ninguém pode excluir a necessidade de, durante a execução do orçamento de 2021, se constatar que é preciso “aumentar o nível da despesa”.

Numa entrevista ao Dinheiro Vivo/TSF divulgada hoje, João Leão não excluiu novo orçamento retificativo em 2021.

“Não seria sério se excluísse à partida a necessidade de um retificativo em 2021”, respondeu.

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