Na conferência de imprensa no final de uma cimeira de líderes da NATO marcada pela discussão acesa em torno do aumento das despesas militares dos Aliados, que Trump reclamava de forma veemente, ao ponto de ameaçar seguir “sozinho” em termos de política de Defesa, António Costa escusou-se a “comentar pormenores” de uma “reunião à porta fechada”, mas desvalorizou o “estilo negocial” de cada um, preferindo realçar a “relação estrutural” entre Europa e Estados Unidos.

“Os países e os políticos têm cada um o seu próprio estilo negocial, mas a NATO não é uma organização que tenha nascido ontem, não é um evento conjuntural. As relações entre a Europa e os Estados Unidos têm uma longa tradição (…) Nós temos que compreender que pode haver momentos de maior proximidade ou de maior afastamento, mas que há uma relação estrutural que perdura e que perdurará seguramente, e que por isso nós devemos sempre encarar estes momentos de maior tensão com a serenidade e a racionalidade devida, de forma que as coisas se reconduzam para o ponto certo”, disse.

Já quanto ao desejo expresso pelo Presidente norte-americano de que os Aliados subissem mesmo as suas despesas militares para 4% do respetivo Produto Interno Bruto (PIB), o dobro do objetivo acordado em 2014 no País de Gales (2%), António Costa garantiu que “não há qualquer alteração” relativamente à meta acordada há quatro anos, e que constitui já um esforço considerável.

“Quanto à duplicação do esforço, não vemos razão para isso. Nós devemos ter um esforço correspondente às necessidades (…) Este é o esforço que podemos e devemos fazer”, declarou.

Em síntese, garantiu que já assistiu a reuniões mais tensas do que a cimeira da NATO que hoje terminou em Bruxelas e manifestou-se seguro de que a Aliança Atlântica vai perdurar.

“Nem eu era nascido quando a NATO nasceu, e seguramente há de existir muitos anos para além da minha vida”, declarou.