António Costa falava perante centenas de militantes socialistas de Odivelas, numa sessão de esclarecimento sobre o estado da nação e que foi aberta com uma curta intervenção do presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS e secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

“Se nós olharmos medida a medida do programa do Governo, medida a medida dos compromissos que assumimos com os nossos parceiros parlamentares (Bloco, PCP e PEV), medida a medida dos compromissos que assumimos com a União Europeia, nós cumprimos exatamente tudo, tudo, tudo”, sustentou o líder socialista.

Segundo o secretário-geral do PS, “ao contrário do que diziam, não foi necessário ter de escolher entre estar na zona euro e virar a página da austeridade”.

“Felizmente, virou-se a página da austeridade e cá estamos na zona euro com muito orgulho – e hoje até nos apontam como um bom exemplo da política a seguir”, advogou, recebendo então uma salva de palmas da plateia.

A seguir, no entanto, António Costa pronunciou-se sobre aquilo que considera serem as consequências a prazo da atual governação, designadamente no que respeita à próxima legislatura.

“Só aumenta a responsabilidade daquilo que temos para fazer. É preciso termos bem a consciência de que, se é verdade que crescemos ao longo destes quatro anos, temos de crescer bastante mais durante muito mais anos para o país se aproximar cada vez mais dos países mais desenvolvidos da União Europeia”, disse.

Neste contexto, António Costa falou depois dos problemas das desigualdades e das dificuldades que estão colocadas às mais novas gerações.

“Se temos hoje mais e melhor emprego, temos de continuar a melhorar significativamente o emprego. Se nós não queremos perder esta nova geração que é mais qualificada, mais bem preparada e que pode contribuir decisivamente para o futuro do país, temos de possuir uma economia e empresas que paguem níveis salariais bastantes superiores àqueles que hoje são praticados, caso contrário não conseguiremos competir com a atratividade de outros países. Sei que houve outros que mandaram os mais jovens emigrar, mas temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que não tenham de emigrar”, acentuou.

Na questão das desigualdades, o secretário-geral do PS considerou que “são ainda imensas”, apesar de indicadores que apontam para uma redução da pobreza em Portugal.

“Ainda há centenas de milhares de famílias que estão na pobreza e nós não nos podemos conformar. Temos de prosseguir este combate. Se temos boas razões para estarmos orgulhosos do que fizemos, só podemos assumir isso como uma enorme responsabilidade de fazermos mais e melhor. Essa é a grande exigência que temos de nos impor a nós próprios: Fazer mais e melhor nos próximos quatro anos”, defendeu.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro falou também de recentes problemas que têm gerado muitos protestos entre os cidadãos, como o tempo de espera para a renovação do cartão do cidadão, o encerramento dos serviços de urgência das maternidades em Lisboa no período de Verão por falta de pessoal, ou as carências da CP e da Transtejo.

“O que se pede a um Governo quando há problemas é que os resolva. E há problemas”, reconheceu.

No caso do cartão do cidadão, António Costa disse que foram alargados os pontos em que se pode requerer a sua renovação, ao mesmo tempo que passou a ser possível a renovação via ‘online’ e sem necessidade de se atualizarem com periodicidade curta os dados biométricos de cada pessoa.

“Só entre maio e julho, na sequência destas medidas, aumentou a produção de cartões de cidadãos de 250 mil para 305 mil. Temos vindo a conseguir melhorar os níveis de resposta e vamos resolver o problema”, considerou.

Já quanto ao Serviço Nacional de Saúde, o primeiro-ministro referiu-se ao caso mais polémico dos meios existentes nas maternidades de Lisboa e voltou a assegurar que “nenhuma urgência será fechada, todas vão funcionar e vai existir capacidade para responder”.

No que respeita aos comboios da CP e aos barcos da Transtejo, António Costa advertiu que “há problemas que levam mais tempo a resolver”, numa alusão à morosidade dos concursos públicos.

“Lançámos o concurso para comprar 22 novas composições, mas o processo leva quatro anos. Encomendámos 10 novos navios para a Transtejo, mas vamos ter de esperar o tempo necessário para que os navios possam chegar. Agora há uma coisa que é certa: É que nem os comboios nem os navios chegariam se continuássemos a desinvestir nos transportes públicos”, concluiu.