Costa considera que banca continua muito dependente do crédito ao consumo e imobiliário

O primeiro-ministro considerou hoje que a banca em Portugal continua excessivamente dependente da concessão de crédito ao consumo e aquisição de imobiliário, lamentando mesmo que seja “pouco amiga” do investimento empresarial.

António Costa assumiu esta posição em entrevista à SIC, após ser confrontado com aumentos elevados registados nos créditos concedidos pela banca para o consumo e imobiliário, em contraponto com uma descida expressiva do crédito destinado a investimentos empresariais.

“Se me dizem que a banca continua excessivamente dependente do crédito ao consumo e do crédito imobiliário, eu digo sim. Infelizmente a nossa banca está mal preparada para aquilo que são as necessidades da nossa economia. Devia ser mais amiga do investimento”, respondeu o primeiro-ministro.

Neste contexto, o primeiro-ministro referiu que a alternativa “é encontrar e apoiar outras fontes de financiamento”.

“Por isso, além dos fundos comunitários e dos mecanismos contratualizados com o Banco Europeu de Investimento (BEI), Portugal adotou um sistema fiscal particularmente amigo do investimento, que a União Europeia sinalizou como sendo o segundo mais vantajoso”, advogou.

Durante a entrevista, o primeiro-ministro afirmou ainda que já previra no cenário macroeconómico do PS, de 2015, o abrandamento da economia internacional a partir de 2019, mas contrapôs que “há sinais de grande confiança no futuro da economia portuguesa, traduzidos, por exemplo, no elevado ritmo de crescimento do investimento privado”.

“Neste momento, em apreciação na AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) estão dois mil milhões de novos investimentos. Na execução do Portugal 2020, já temos cerca de 8,9 mil milhões de euros de investimento empresarial aprovado, dos quais 5,5 mil milhões estão a entrar em execução. Temos um ritmo de crescimento significativo”, sustentou.

Neste ponto, o primeiro-ministro referiu no mês passado as contribuições para a Segurança Social cresceram sete por cento face a janeiro de 2017, “o que significa que o emprego e os salários continuam a subir”.

Confrontado com dados sobre um maior desequilíbrio na balança de bens, que já atinge, o líder do executivo alegou que grande parte do aumento dessas importações “é de equipamentos” para empresas e não de bens de consumo familiar, traduzindo objetivos de investimento.