“Esta ideia de cooperação está bem amadurecida, bem consolidade. Esta cimeira, este encontro serviu para constatar de forma particularmente evidente isso. E agora é avançar neste trabalho”, declarou Vasco Cordeiro.

O líder do executivo açoriano falava em conferência de imprensa na sexta-feira à noite após conhecidas as decisões da II Cimeira dos Arquipélagos da Macaronésia, que englobam os Açores, a Madeira, Cabo Verde e as Canárias.

Para o chefe do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, a reunião serviu para ser dado um “passo político” de aproximação entre as regiões.

E concretizou: “Temos dado provas de não ficar parados. Temos 24 projetos com 30 milhões de euros em andamento. O fundamental é darmos um passo político. A Macaronésia são três milhões de habitantes mas a questão é o posicionamento estratégico que temos”.

As regiões da Macaronésia assinaram na sexta-feira um acordo que prevê a criação da Conferência dos Governos da Macaronésia, “de carácter permanente, constituída pelos líderes” dos respetivos executivos.

A medida é uma das 12 tomadas de decisões resultantes do encontro que juntou nas Furnas, no concelho açoriano da Povoação, os presidentes dos governos regionais dos Açores e da Madeira, Vasco Cordeiro e Miguel Albuquerque, respetivamente, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, e o conselheiro para a Economia, Indústria, Comércio e Investigação do Governo das Canárias, Pedro Ortega Rodríguez, em representação do presidente, Fernando Clavijo Batlle.

De acordo com a declaração final do encontro, foi decidida também a realização bienal da Conferência dos Governos da Macaronésia, em cada arquipélago, “de forma rotativa seguindo a seguinte ordem: Açores, Canárias, Madeira e Cabo Verde”.

As regiões decidiram ainda “mandatar o arquipélago de Cabo Verde para, no prazo de seis meses e, na sequência do trabalho que já desenvolveu neste domínio, apresentar uma proposta de formalização jurídica e institucional da cooperação dos arquipélagos da Macaronésia”.

Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias acordaram quatro áreas de coordenação estratégica: Economia do Mar; promoção do Comércio, Turismo e Investimento; Investigação, Desenvolvimento, Energia e Alterações climáticas; e Juventude, Cultura e Cidadania.

“No prazo de três meses, serão definidas, por acordo, as áreas sobre as quais cada arquipélago assume responsabilidades de dinamização, promoção e monitorização, bem como, em igual período, serão indicados os respetivos representantes para cada uma das áreas”, é referido no texto de conclusões do encontro.

No que refere ao próximo quadro europeu de apoio, foi decidido “aprofundar as posições políticas necessárias à defesa dos interesses do espaço da Macaronésia e das possibilidades de reforço do seu reconhecimento no quadro das negociações em curso sobre o próximo” envelope comunitário.

Foi ainda tornado evidente pelos executivos das regiões da Macaronésia o apoiar de várias iniciativas, como o “desenvolvimento operacional do AIRCENTER”, a “criação de sinergias com a iniciativa da União Europeia ‘Clean Energy for Islands'” ou a “criação do Observatório das Alterações Climáticas da Macaronésia”.

A Macaronésia é um espaço de concertação política e de cooperação para o desenvolvimento que compreende os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, onde, além da questão dos laços históricos e de afetividade, das afinidades geográficas, da identidade cultural e política, existe também uma questão de estratégia económica.

A região da Macaronésia congrega um total de 28 ilhas habitadas e um potencial mercado de cerca de três milhões de habitantes, extensível à Europa e a África.

Na I Cimeira da Macaronésia, que decorreu em dezembro de 2010, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, foi politicamente oficializada a criação da região da Macaronésia.