“Assim não dá. Tendo em conta os problemas de fundo, problemas estruturais que temos na sociedade portuguesa, ainda por cima acrescidos deste drama dos incêndios, é preciso serem feitas opções. As opções deveriam passar por responder aos anseios e aos problemas dos trabalhadores e do povo, e não o contrário”, vincou Jerónimo de Sousa, que falava aos jornalistas numa visita a Treixedo, aldeia de Santa Comba Dão afetada pelos grandes incêndios de 15 de outubro do ano passado.

Para o secretário-geral do PCP, o Governo continua a fazer “uma opção limitada”, cujo compromisso “maior é com as regras da União Europeia, é com a União Europeia”.

“O Governo faz opções, designadamente cumprindo, com quase religiosidade, o serviço da dívida, de milhares de milhões de euros que vão para esse sorvedouro insaciável”, optando por reduzir o défice com “milhões e milhões de euros que poderiam ajudar a resolver este e outros problemas”, criticou.

Questionado sobre se hoje o PCP está mais longe do PS, Jerónimo de Sousa realçou que as diferenças entre os dois partidos “sempre foram afirmadas” e, da parte do próprio Partido Socialista, não houve “qualquer coisa escondida nesta matéria”.

Pegando no exemplo dos incêndios, Jerónimo de Sousa considerou que o compromisso maior do Governo deveria ser “com os trabalhadores e com o povo português e com estas populações que muitas vezes não sabem o que fazer à vida”.

“Quem ouve o Governo a falar das medidas, dos milhões, dando uma ideia de andamento [tem expectativas]. Mas chegamos aqui e esta realidade confronta essas afirmações, até desvaloriza aquilo que é o anúncio de programas, de planos para a defesa do interior”, salientou.

Para Jerónimo de Sousa, um primeiro passo para o Governo mostrar que defende o interior do país seria tomar medidas para a reconstrução das habitações afetadas pelos incêndios, e apoiar a atividade económico e a floresta destruídas com as chamas de 2017.

Questionado sobre o caso de Tancos, Jerónimo de Sousa reafirmou a posição do PCP, considerando que “todas as questões relacionadas com a ocorrência em Tancos devem ser esclarecidas, designadamente por via do inquérito do Ministério Público, que está em curso”.

Sobre se o ministro da Defesa deveria prestar esclarecimentos, o secretário-geral do PCP frisou que “tudo o que contribuir para o esclarecimento é bom, mas isso não deve levar à desvalorização do inquérito que o Ministério Público tem em curso”.

O material que foi furtado do quartel de Tancos, Santarém, em 2017, ainda não foi todo recuperado, noticiou o semanário Expresso, no sábado, referindo que ainda existem granadas e explosivos por devolver.