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As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) nos Açores registaram um aumento de cerca de 500 sinalizações em 2021, o que reflete uma maior sensibilização da população, adiantou hoje a presidente do comissariado para a infância.

“Essas sinalizações têm vindo sempre a aumentar”, afirmou, em declarações à Lusa, a presidente do Comissariado dos Açores para a Infância, Ana Margarida Silva, acrescentando que as pessoas estão hoje “mais informadas, mais sensibilizadas e comprometidas com o bem-estar das crianças” e, por isso, também “mais despertas para denunciar e para identificar situações”.

A responsável do comissariado falava à margem do IV Encontro Regional de Comissões de Proteção de Crianças e Jovens dos Açores, que decorre na Praia da Vitória, na ilha Terceira.

Segundo dados do Comissariado dos Açores para a Infância, em 2021, as 19 CPCJ dos Açores registaram 2.714 processos, dos quais 1.235 abertos naquele ano, 459 reabertos e 1.020 que transitaram de 2020.

Em comparação com o ano anterior, houve um aumento de 557 situações de perigo sinalizadas.

A Autoridade Policial foi a entidade que apresentou mais sinalizações às CPCJ, num total de 626.

O maior número de processos foi registado no concelho de Ponta Delgada (764), na ilha de São Miguel, seguindo-se Ribeira Grande (582), na mesma ilha, e Angra do Heroísmo (312), na ilha Terceira.

Segundo Ana Margarida Silva, os problemas surgem cada vez mais rápido, o que vai obrigar a um reforço de meios.

“A formação é importante, mas também o número de técnicos importa. Se há aumento das problemáticas e aumento do número de crianças e jovens tem de aumentar também de forma proporcional os interventores nessa área”, admitiu.

A problemática mais sinalizada pelas CPCJ nos Açores em 2021 foi “a exposição a comportamentos que afetam gravemente a segurança e o equilíbrio emocional das crianças e jovens”, da qual se destaca a violência doméstica.

“Estão a assistir a situações de violência ou de consumos por parte dos pais, que influenciam depois o desenvolvimento destas crianças tanto emocional, como intelectual, como físico”, alertou a responsável.

Outro dos problemas que preocupa o comissariado é o consumo de estupefacientes e álcool, que afeta também crianças e jovens.

“Nas crianças de forma muito prematura já nos estão a chegar situações muito graves. Temos de assumir a responsabilidade de encontrar respostas adequadas para esta problemática”, apontou.

O encontro de CPCJ incluiu um ‘workshop’ destinado aos alunos da Escola Secundária Vitorino Nemésio sobre segurança na Internet.

“As crianças hoje em dia estão demasiado expostas, estão demasiado tempo dedicadas à Internet, aos jogos, às redes sociais. Têm esse acesso facilitado e não é doseado. Temos de ter essa responsabilidade como adultos e como pais de dosear esse acesso”, salientou Ana Margarida Silva.

A diretora regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, Sandra Garcia, defendeu também que as crianças e jovens têm de sentir que podem contar com as CPCJ e com outras instituições.

“Há esperança, há futuro, há respostas para os vários problemas. Queremos que elas tenham voz, tenham poder, possam pedir-nos ajuda para que nós possamos cumprir o nosso dever”, salientou.

Sandra Garcia destacou o papel das CPCJ, mas apelou igualmente a uma maior intervenção da sociedade.

“Nós todos como sociedade temos o dever de alertar, isto não é só para as entidades, nem só para as instituições. Uma comunidade solidária é uma comunidade atenta. Nenhum de nós tem o direito de voltar a cara para o lado. Compete a cada um de nós sinalizar determinadas situações”, reforçou.

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