Adelino Morgado Medeiros

Adelino Morgado Medeiros, responsável pela pastelaria localizada no concelho de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, refere à agência Lusa que quem se desloca ao seu espaço tem também o privilégio, além da degustação, de poder assistir, através de vidraças, à confeção da queijada da Vila por parte das operárias, o que desperta “grande curiosidade” materializada em fotos que são posteriormente partilhadas nas redes sociais.

“Já tínhamos uma pequena entrada que permitia ver as operárias a trabalhar, mas havia muita curiosidade por parte das pessoas, que queriam entrar, o que perturbava a produção, daí que se tenha envidraçado toda a zona de laboração, em que o cliente vê do exterior o que vai consumir”, declara o proprietário.

O empresário açoriano – que apenas usa na confeção das suas queijadas produtos de origem açoriana, como o leite e a manteiga, à exceção do açúcar e da farinha, que são importados – orgulha-se da sua pastelaria ter sido o único espaço visitado em São Miguel pelo Presidente da República, durante a sua última deslocação oficial, a par de uma união de cooperativas produtora de queijo.

Marcelo Rebelo de Sousa “provou e gostou muito” da queijada da Vila, como confidenciou ao empresário, tendo “levado umas queijadinhas consigo”.

Mas várias personalidades da vida social e cultural nacional, como atores de cinema e de telenovela, também não abdicam de saborear o produto, referindo Adelino Morgado Medeiros que “é já tradição” as estrelas da prova ‘Red Bull Cliff Diving’, que competem anualmente no ilhéu de Vila Franca do Campo, deslocarem-se à sua pastelaria com os seus familiares.

A pastelaria, que ostenta com orgulho dois prémios nacionais que distinguiram a qualidade do produto, apesar de ter crescido mesmo antes da abertura do mercado aéreo para os Açores, a 29 de março de 2015, segundo o empresário, viu este fenómeno acentuar-se com a liberalização e o ‘boom’ do turismo, o que “obrigou a adquirir mais equipamento e funcionários”.

O empresário explica que duplicou a venda de queijadas para as 17 mil unidades por semana, na época alta, e “está-se a vender muito mais à porta do que nas superfícies comerciais” e outros espaços onde a queijada está presente, mas pretende-se “manter um negócio sustentável”.

Na pastelaria, que é ponto de paragem obrigatória para os autocarros turísticos, os holandeses Kelly e Johannes Mostermar, pela segunda vez nos Açores, deliciam-se com a queijada da Vila, “mas com açúcar”, como sublinhou, após uma deslocação ao ilhéu de Vila Franca do Campo, reserva natural.

Já Manuel Sousa, natural de Água de Pau, e Noémia Sousa, dos Arrifes, freguesias da ilha de São Miguel, que estiveram emigrados 55 anos no Canadá, preferem a queijada sem cobertura de açúcar e não dispensam uma visita à pastelaria “sempre que possível”.

Os germânicos Evellyn e Adam, que estavam cansados de caminhar, acabaram por conhecer na pastelaria uma queijada de “grande qualidade”, semelhante ao ‘Waffel’ com açúcar de confeiteiro que gostam de saborar na Alemanha, tendo adquirido duas embalagens “para levar para o hotel”.

Jorge Dourado e Maria Mercês, naturais de Santarém, optaram por comer a sua queijada de pé enquanto apreciam as operárias na sua confeção através da vidraça, não se tendo ficado apenas por uma, na companhia de Kima de Maracujá, também produto local.

O negócio da queijada da Vila nasceu na década de 60 do século XX através de Eduíno Morgado, pai do atual proprietário, que recolheu a sua receita junto de uma idosa que as fabricava no concelho.