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Cidadãos norte-americanos consideraram hoje que o debate entre Donald Trump e Joe Biden não terá aumentado significativamente o apoio para nenhum dos candidatos, não atingindo o principal objetivo da disputa.

O objetivo central dos debates televisivos é que os eleitores indecisos nos Estados Unidos (EUA), que constituem apenas cerca de 5% do eleitorado, mas que são o principal alvo das campanhas, possam formar opiniões mais fortes e apoio a uma das candidaturas.

Para alguns cidadãos que visualizaram o debate em casa, porém, isso não terá acontecido, devido às frequentes interrupções entre os dois oponentes.

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“Isto deixará os eleitores indecisos mais confusos ainda, porque ambos estão a agir como crianças”, escreveu Patricia, numa das muitas reuniões virtuais que se organizaram na noite passada, em substituição de eventos presenciais em locais públicos para se ver o debate.

A resposta foi rápida de um outro participante que escreveu: “Dois homens brancos, velhos e privilegiados… o que esperávamos?”.

O especialista em debates David Birdsell, reitor da Escola de assuntos públicos e internacionais da universidade Baruch College, disse durante o debate que “é inédito este nível de desrespeito das regras, por parte de qualquer candidato em qualquer ciclo eleitoral anterior”.

As bases de apoiantes continuam a ser iguais e da mesma dimensão, argumentaram os docentes da mesma universidade Douglas Muzzio e Eric Gadner, que estimou que só Biden terá sido capaz de “marginalmente” aumentar o seu apoio.

O facto de Donald Trump e Joe Biden se interromperem um ao outro foi desprezado por muitos espetadores, alguns descrevendo o debate no final como “uma discussão entre dois adolescentes”.

De opinião um pouco diferente foi Douglas Muzzio, que considerou ter ficado com uma compreensão mais profunda do caráter de cada um dos candidatos e Allison Hahn, que gostou de ver “o que acontece quando a pressão está em cima” de cada um.

Os eventos virtuais organizados por diversas entidades na noite passada consistiram em declarações iniciais dos apresentadores e a transmissão, em partilha de ecrã, do debate, com a caixa de comentários a ficar preenchida.

“Vergonhoso” foi uma palavra repetida em muitas opiniões dos participantes, com Riley, um dos participantes, a questionar “o quão absurdo deve parecer tudo isto à liderança mundial que assiste ao redor do globo”.

Para o professor e autor Don Waisanen “a linha entre a observação de sondagens credíveis e a intimidação dos eleitores é ténue”.

Henry, outro dos participantes, disse que “Biden foi coerente”, uma das características que iam ser mais observadas durante o primeiro debate presidencial, depois de Donald Trump acusar repetidamente que o “sonolento” oponente ia precisar de medicamentos para estar atento.

Douglas Muzzio interveio mais uma vez no diálogo público considerando que “é difícil ser coerente quando estás a ser sempre interrompido” e refletindo que Trump foi “o mais rude e inculto”.

A estudante Deborah lamentou a falta de representatividade nos assuntos discutidos e disse que “foi oferecido aos jovens desta noite um debate pobre”.

Os temas enfatizados no debate foram o Supremo Tribunal de Justiça, questões relacionadas com o clima, impostos, economia, prestação de cuidados de saúde, transparência do voto por correio, entre outros.

Donald Trump e Joe Biden voltam a encontrar-se frente a frente em debates televisivos a 15 e 22 de outubro, antes das eleições nos Estados Unidos marcadas para 03 de novembro.

Joe Biden diz a Trump que se cale em debate conflituoso

O candidato democrata Joe Biden disse ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se calasse durante o primeiro debate das eleições presidenciais de 03 de novembro, que decorreu esta madrugada em Cleveland, Ohio.

“Vais-te calar, homem?” disse Biden, depois de ser interrompido várias vezes por Donald Trump num debate muito conflituoso.

O candidato democrata falava depois de ser questionado pelo moderador, Chris Wallace, sobre a possibilidade de adicionar mais um lugar ao Tribunal Supremo, pergunta a que não respondeu diretamente.

No entanto, Biden afirmou que a vaga deixada pela morte da juíza progressista Ruth Bader Ginsburg não deve ser preenchida antes das eleições e que os eleitores devem ter a oportunidade de decidir quem vai nomear o próximo juiz da instituição.

Donald Trump, que nomeou a juíza conservadora Amy Coney Barrett para o lugar, disse que “tem todo o direito” de preencher a vaga e que os democratas só não con seguiram confirmar Merrick Garland em 2016 “porque não tiveram a eleição”.

Há quatro anos, o Senado controlado pelos republicanos impediu o então Presidente norte-americano, Barack Obama, de nomear Merrick Garland para o lugar de Antonin Scalia durante mais de nove meses, argumentando que deveria ser o próximo Presidente a fazê-lo.

O mesmo Senado, liderado por Mitch McConnell, inverteu agora a sua posição e pretende confirmar a nomeada de Trump independentemente dos resultados das eleições.

O Tribunal Supremo foi uma das várias questões abordadas durante hora e meia de debate, onde os candidatos trocaram insultos e acusações.

Numa instância, Biden disse ser ” difícil responder a seja o que for com este palhaço” e afirmou que ele é “o pior Presidente que a América já teve”. Noutras ocasiões, afirmou que Trump é “racista”, “mentiroso”, “fantoche de [Vladimir] Putin” e “sem conhecimento” do que diz.

Donald Trump, por seu lado, colocou em causa a inteligência de Joe Biden, dizendo-lhe para não há “nada de esperto” no oponente democrata.

Trump acusou ainda Biden de chamar aos militares do exército “bastardos estúpidos”, algo que o democrata negou.

O moderador e apresentador da Fox News, Chris Wallace, pediu repetidamente a Donald Trump que deixasse Joe Biden responder às questões, tendo acontecido com frequência o Presidente norte-amricano falar por cima do oponente de forma agressiva.

Trump lançou ainda várias acusações de corrupção e vício de drogas ao filho de Joe Biden, Hunter Biden, que o democrata defendeu vigorosamente, dizendo que “não fez nada de errado” e que “tem orgulho” nele.

Estão marcados mais dois debates, sendo que a acrimónia desta noite levou alguns comentadores da CNN, estação que transmitiu o debate, a questionar se Joe Biden deverá ou não continuar com o plano de voltar a estar em palco com Trump.

O próximo debate do ciclo eleitoral será entre os candidatos a vice-presidente, Mike Pence (republicanos) e Kamala Harris (democratas), a 07 de outubro.

Resultados das presidenciais podem não ser conhecidos “durante meses” disse Trump

O vencedor da eleição presidencial nos Estados Unidos, marcada para 03 de novembro, poderá não ser conhecido “durante meses” por causa do voto por correspondência, disse o Presidente norte-americano, Donald Trump no primeiro debate com Joe Biden.

“Podemos não saber durante meses porque estes boletins de voto vão estar espalhados por todo o lado”, disse o presidente no debate, que decorreu esta madrugada em Cleveland, Ohio.

“É uma fraude e uma vergonha”, acusou o presidente, colocando em causa a integridade das eleições, que terão um número sem precedentes de votos por correspondência por causa da pandemia de covid-19.

Apesar de não haver evidências de que esta forma de voto conduz a fraude, Donald Trump afirmou: “haverá fraudes como nunca vimos antes”.

Há semanas que o Presidente norte-americano vem dizendo, sem provas, que a votação por correspondência poderá distorcer o resultado.

Trump disse ainda que contará com o Tribunal Supremo para “olhar para os boletins”, afirmando, sem evidências, que há boletins de voto a serem atirados para os rios, caixotes do lixo e até vendidos.

Durante o debate com o oponente democrata, o Trump disse mesmo que “isto não vai acabar bem” e urgiu os seus apoiantes a estarem atentos e preparados.

A possibilidade de não haver resultados na noite eleitoral é algo que vem sendo falado porque vários estados vão continuar a contar boletins de voto após 03 de novembro, desde que tenham sido colocados nos correios até essa data.

Na réplica, Joe Biden afastou a ideia de que o voto por correspondência possa ser fraudulento e lembrou que há cinco estados norte-americanos (Colorado, Havai, Oregon, Utah e Washington), alguns dos quais de maioria republicana, onde os boletins de voto são automaticamente enviados para todos os eleitores há vários anos sem registo de problemas.

Biden assegurou também que, se vencer a eleição, Donald Trump vai ser obrigado a deixar a Casa Branca. “Se tivermos os votos necessários, ele irá embora”, afirmou.

Num primeiro debate muito conflituoso, em que o moderador Chris Wallace, da Fox News, teve de intervir repetidamente para pedir a Donald Trump que deixasse Joe Biden falar, foram abordados os temas mais quentes da campanha, incluindo o Tribunal Supremo, o estado da economia, a covid-19, o sistema de saúde e o histórico de ambos.

Joe Biden, numa das situações em que Donald Trump o interrompeu, retorquiu algo que pode ser traduzido como “vais-te calar, homem?”.

Estão marcados mais dois debates, sendo que a acrimónia desta noite levou alguns comentadores da CNN, estação que transmitiu o debate, a questionar se Joe Biden deverá ou não continuar com o plano de voltar a estar em palco com Trump.

O próximo debate do ciclo eleitoral será entre os candidatos a vice-presidente, Mike Pence (republicanos) e Kamala Harris (democratas), a 7 de outubro.

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