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O Chega/Açores avisou hoje que tem feito “propostas razoáveis” ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para o Orçamento Regional para 2023, remetendo a responsabilidade da “estabilidade” governativa para o executivo, que não tem maioria no parlamento.

“Eu é que peço estabilidade. Se é razoável o que pedimos, deve ser aceite. A estabilidade não é só para o Chega. É para todos. No dia em que eu sentir que o Chega não é respeitado, a estabilidade desaparece”, afirmou José Pacheco, deputado único do Chega no parlamento açoriano, com quem o executivo assinou um acordo de incidência parlamentar

O deputado falava no fim de uma reunião com o presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, a propósito da elaboração das antepropostas de Plano e Orçamento para 2023, que devem ser discutidas em novembro na Assembleia Legislativa Regional.

O parlamentar respondeu desta forma aos jornalistas quando questionado sobre as declarações do vice-presidente do PSD/Açores Luís Maurício sobre a importância da “estabilidade governativa” na região.

“O Chega não faz chantagem. O Chega propõe soluções. Se elas não são aceites, obviamente não temos outra forma de fazer as coisas. Não estamos preocupados com a governação nem com o governo. Quando o povo disser que não está satisfeito, seremos a voz dos açorianos”, observou Pacheco.

A política, explicou, “faz-se de diálogo e negociação”.

“Estamos a negociar, a dialogar e a chegar a soluções”, disse, acrescentando: “Ou cumprem ou não há nada”.

Sobre as propostas concretas que podem determinar o sentido de voto do Chega no Orçamento Regional de 2023, José Pacheco referiu o chamado “cheque pequenino”, ou seja, o Complemento Regional de Pensão e “uma novidade, o cheque saúde”, para combater os atrasos nas consultas e cirurgias no Serviço Regional de Saúde.

O deputado referiu ainda a necessidade de apoiar os trabalhadores, que “não recebem apoios como os subsidiodependentes”, mas não quis especificar qual a medida em concreto em debate nas negociações com o Governo.

“Não vou concretizar porque ainda não estamos em fase de diálogo e conversa”, justificou.

“As vezes, acusam-me de falar muito de subsidiodependência, mas falo muito mais dos que não recebem subsídios”, alertou.

A classe média, notou, “está já na pobreza”, com um “ordenado que não chega até ao fim do mês”.

“Temos de nos focar nos açorianos que não vivem à custa do Estado, nos pagadores, que já começaram a ser pobres e não recebem os apoios que outros recebem. Os apoios devem ser justos para quem precisa. Quem não quer trabalhar… não contem comigo”, frisou.

O parlamentar começou por referir que, relativamente ao Orçamento, o Chega quer “continuar a incluir a defesa dos mais idosos”, através do complemento regional de pensão, anunciando a apresentação de uma medida nesse âmbito.

“Trouxemos ainda uma novidade para combater listas de espera nos hospitais. Vamos lançar o cheque Saúde. Ultrapassando todos os prazos aceitáveis, o Estado fica com a obrigação de dar um ‘voucher’ ou pagar no privado. Tem de ser feito urgentemente. É uma proposta que vai entrar em breve para podermos travar as esperas no Serviço Regional de Saúde [SRS]”, explicou.

Pacheco apontou ainda a necessidade de “ajudar as famílias e as empresas”, combatendo a inflação.

“Obviamente os subsidiodependentes não sentem a inflação, ou sentem menos. Temos de começar a olhar para os que trabalham”, observou.

De acordo com o deputado, ao Governo foi transmitido que o executivo “não está refém do Chega”, mas do “povo açoriano”.

“O Chega está aqui para ser a voz dos açorianos. Para cuidar dos mais desfavorecidos e começar a repor justiça num viver da subsidiodependência. Temos de começar a ter aqui justiça social”, defendeu.

O presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), o social-democrata José Manuel Bolieiro, está hoje a receber os partidos políticos a propósito da elaboração das antepropostas de Plano e Orçamento para 2023, que devem ser discutidos em novembro na Assembleia Regional.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

O Governo Regional depende do apoio dos partidos que integram o executivo e daqueles com quem tem acordos de incidência parlamentar (IL, Chega e deputado independente) para ter maioria absoluta na Assembleia Legislativa Regional.

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