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O deputado do Chega no parlamento açoriano questionou hoje o Governo Regional sobre se pode contar com “lealdade, verdade e compromisso” por parte do executivo e do parlamento, notando que o governo existe por causa do Chega.

“É sempre bom relembrar a este Governo [de coligação PSD/CDS-PP/PPM, com acordos de incidência parlamentar com o Chega, a Iniciativa Liberal e o deputado independente] que, se o Chega aqui está, a vós não o deve. Se os senhores estão aí sentados, ao Chega muito devem. Fica o alerta para memória futura”, afirmou José Pacheco.

O deputado único do Chega falava na intervenção final do debate sobre o Plano e Orçamento para 2023, que devem começar a ser votados na quinta-feira.

“Aqui, já o disse, precisamos de estabilidade, seja ela política, social ou até mesmo pessoal. Isto é certo e real, mas precisamos de lealdade, de verdade e de compromisso. Será que podemos contar com tais valores com esta governação, com este parlamento? Eu não sei, Deus saberá, mas, por vezes, penso que o Diabo sabe mais do que todos nós”, observou José Pacheco no discurso.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação após as eleições legislativas regionais de 2020.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um acordo com a IL, para garantir maioria absoluta no parlamento.

“Durante décadas, cultivámos a esperança de seguir em frente, fazer diferente, fazer desta terra um exemplo para o nosso país. Temos tudo, tudo mesmo, só que preferimos ignorar, assobiar para o lado, olhar para o quintal do vizinho. Talvez não tenhamos aprendido muito, mas o tempo passa e não podemos continuar a ser ultrapassados e a ser a terra mais pobre deste nosso Portugal”, acrescentou Pacheco.

O parlamentar lembrou que, quando chegou ao parlamento para representar o Chega e “os ideais do futuro sem rasgar o passado”, chegou com o “compromisso” e “a vontade de olhar para as pessoas sem pensar em cores partidárias”, fazer aquilo que todos os dias ouve na rua.

“Sim na rua, porque é lá que estão as pessoas, aquelas que confiaram em nós para gerir os destinos dos Açores. Garanto que não estão nos corredores deste parlamento e muito menos nas boas intenções, negociatas ou disputas políticas”, alertou.

Para o parlamentar, “quando perdemos o foco no mundo real estamos a enganar os açorianos, mesmo quando fingimos estar muito preocupados com eles”.

“A verdade é que apenas pensamos no conforto das cadeiras douradas deste parlamento obtidas ou mantidas através dos votos”, indicou.

O Orçamento dos Açores para 2023, de cerca de 1,9 mil milhões de euros, começou na segunda-feira a ser debatido no plenário da Assembleia Legislativa Regional.

O parlamento dos Açores é composto por 57 deputados e, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um acordo com a IL.

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