O ambientalista Teófilo Braga, coautor da obra com o investigador madeirense Raimundo Quintal, com a chancela da editora The Book Hut, declarou à agência Lusa que o Jardim Botânico José do Canto “foi a concretização do sonho de um homem que amava as plantas, conhecia em profundidade os segredos da botânica” e era considerado uma das figuras mais importantes dos Açores no século XIX.

O ambientalista, que já presidiu à Associação Ecológica Amigos dos Açores, recorda que José do Canto (1820-1898), que também foi político e escritor, “manteve contactos com jardins botânicos, naturalistas e viveiristas de todo o mundo, comprando, vendendo e trocando plantas”.

O intelectual, que estudou em Paris, no Colégio Fontenay Aux-Roses, e que se deslocava aos viveiros franceses, ingleses e belgas com frequência, conseguiu assim, segundo Teófilo Braga, levar para os Açores cerca de seis mil espécies.

Além do Jardim Botânico José do Canto, criou outros espaços na ilha de São Miguel como a mata com o seu nome na margem sul da Lagoa das Furnas e uma outra na zona junto à Lagoa do Congro, em Vila Franca do Campo.

Teófilo Braga recorda que José do Canto ficou também conhecido pela sua paixão pela obra de Camões, a qual estudou, a par de ter colecionado variadas edições do poeta, tendo também dedicado parte do seu tempo ao estudo e investigação de outros poetas.

Em 1874 ofereceu à Biblioteca Pública de Ponta Delgada 1.275 livros considerados de avultado valor, entre os quais se contam obras raras da sua coleção camoniana, considerada, na altura, a segunda mais importante no contexto nacional.

O livro “Jardim Botânico José do Canto 100 Árvores” conta com 200 páginas e 325 fotografias, contém um capítulo sobre a figura e obra de José do Canto, outro intitulado Jardim Botânico José do Canto, um jardim romântico no coração de Ponta Delgada, onde é relevada a sua importância histórica no contexto dos jardins açorianos, portugueses e europeus.

O prefácio foi escrito por Augusto de Athayde, membro do conselho de administração da Fundação José do Canto, proprietária daquele jardim histórico de Ponta Delgada.

José do Canto, que também foi um mecenas e desenvolveu uma forte ação de solidariedade social, além de ter sido um dos principais impulsionadores da construção do porto de Ponta Delgada, morreu a 10 de julho de 1898, tendo sido sepultado, ao lado da esposa, na igreja gótica de Nossa Senhora da Vitória, que fez edificar na Lagoa das Furnas.