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O secretário-geral do PS afirmou hoje que o ministro das Finanças, Mário Centeno, é o candidato oficial do Partido Socialista Europeu (PSE) ao cargo de presidente do Eurogrupo, tendo apoios da Grécia e Alemanha, entre outros países.

António Costa falava aos jornalistas na sede nacional PS, antes do jantar de líderes europeus socialistas, depois de ter recebido em São Bento, na qualidade de primeiro-ministro o seu homólogo grego, Alexis Tsípras.

Fonte do PSE disse à agência Lusa que, em relação à eleição de segunda-feira para a presidência do Eurogrupo, o ministro das Finanças português terá já “um apoio maioritário” entre os 19 Estados-membros que integram a zona euro.

Perante os jornalistas, o líder socialista português frisou que Mário Centeno é o candidato oficial do PSE e que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsípras, manifestou também apoio à eleição do titular da pasta das finanças do executivo de Lisboa.

Questionado se a Alemanha vai apoiar o ministro das Finanças na eleição de segunda-feira próxima, António Costa respondeu: “Claro”.

À entrada para o jantar de líderes do PSE, o chanceler austríaco, Christian Kern, referiu aos jornalistas portugueses que o seu executivo [cessante] tem como base uma coligação, mas admitiu o voto favorável da Áustria a Mário Centeno.

António Costa, em resposta às perguntas colocadas pelos jornalistas, não quis fazer qualquer “prognóstico” em relação ao resultado da eleição do presidente do Eurogrupo, apesar de se dizer “confiante”.

“É uma excelente candidatura para a Europa e para ajudar a zona euro a ser amiga do emprego, do crescimento e da estabilização das finanças públicas, virando uma página de divisões e de confrontações. É necessário aprofundar o mercado do emprego, o crescimento, mas também com boas finanças públicas”, declarou.

Confrontado com a oposição do Bloco de Esquerda e do PCP à candidatura de Mário Centeno à presidência do Eurogrupo, o primeiro-ministro desdramatizou, dizendo que a relação do PS com essas duas forças políticas “assenta nos temas em que há acordo e que fazem parte das declarações conjuntas”.

“Cada um dos partidos tem uma identidade própria. Como é sabido, em relação ao euro, não há uma posição comum. Não é uma surpresa para ninguém”, disse.

Já em relação ao desejo manifestado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de que Mário Centeno se concentre sobretudo no lugar de ministro das Finanças, isto no caso de ser eleito presidente do Eurogrupo, o secretário-geral do PS respondeu: “Óbvio”.

“Quem é ministro das Finanças tem de estar concentrado nas finanças nacionais. Faz parte da arquitetura europeia que o presidente do Eurogrupo não deixe de ser ministro do seu país. É mesmo uma condição”, vincou o secretário-geral do PS.

Questionado sobre como encara o mandato do próximo presidente do Eurogrupo, António Costa classificou-o como “muito exigente”.

“Está na ordem do dia a reforma da zona euro, que, durante muitos anos foi um tabu, mas que a Comissão Europeia colocou em cima da mesa. Para 14 e 15 de dezembro está agendada uma cimeira sobre a zona euro”, acrescentou o líder do executivo português.

No que respeita aos trabalhos do Conselho do PSE, reunião que termina sábado e que será encerrada com uma sua intervenção, o líder dos socialistas portugueses disse que os debates concentram-se “na reforma da zona euro e na concretização do pilar social”.

“Este tem sido um ano de profundo debate – um debate que foi aberto pela Comissão Europeia. Temos de sintonizar a Europa com as preocupações dos cidadãos”, acrescentou António Costa.

Centeno não se deve esquecer que “começou por ser ministro das Finanças”

O Presidente da República defendeu hoje que Mário Centeno, caso seja eleito presidente do Eurogrupo, não se deve esquecer que “começou por ser ministro das Finanças” e que só chegará a Bruxelas por esse motivo.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

“Tem de olhar para a Europa e na Europa estar atento ao que é fundamental para a Europa, mas não se deve esquecer que começou por ser ministro das Finanças e só lá [ao Eurogrupo] chega por isso, não caiu do céu”, afirmou hoje o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Banco Alimentar Contra a Fome, em Lisboa, o chefe de Estado defendeu, caso Mário Centeno assuma a presidência do Eurogrupo, que é “muito importante, fundamental” que o país “não perca o rumo em matéria financeira”.

Sobre a candidatura de Mário Centeno, que é vista como uma das favoritas, Marcelo Rebelo de Sousa recusou “cantar vitória antes do termo do desafio” e alertou que podem existir votos dispersos pelos quatro candidatos.

“Trata-se de saber se há maioria clara ou não do ministro das Finanças português. Parece que sim, mas a votação é só na segunda-feira”, disse.

O ministro das Finanças português, Mário Centeno, é o candidato oficial dos socialistas europeus (PSE) ao cargo de presidente do Eurogrupo.

Além de Mário Centeno, a corrida à presidência do Eurogrupo conta também com o Pierre Gramegna (Luxemburgo), Peter Kazimir (Eslováquia) e Dana Reizniece-Ozola (Letónia) e a eleição terá lugar na próxima reunião do Eurogrupo, agendada para segunda-feira, dia 04 de dezembro.

Líder da Confederação Europeia dos Sindicatos quer a vitória de Centeno

Luca Visentini, Presidente da Confederação Europeia dos Sindicatos (CES)

O líder da Confederação Europeia dos Sindicatos (CES), Luca Visentini, afirmou hoje esperar que o ministro das Finanças, Mário Centeno, seja na segunda-feira eleito presidente do Eurogrupo, considerando que representa uma viragem na política económico-financeira.

Luca Visentini falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo primeiro-ministro, António Costa, numa declaração em que tinha ao seu lado os líderes da UGT, Carlos Silva, e da CGTP-IN, Arménio Carlos.

“Se o ministro das Finanças vencer será um passo na direção certa. A União Europeia precisa de pôr de lado as políticas de austeridade, apostando no investimento, no crescimento e no emprego”, declarou o presidente da Confederação Europeia dos Sindicatos (CES).

Arménio Carlos, líder da CGTP-IN

Esta posição sobre a próxima liderança do Eurogrupo foi totalmente partilhada por Carlos Silva, mas não por Arménio Carlos, que se demarcou dela.

“A questão não é a pessoa, mas a política do Eurogrupo. O Eurogrupo foi parte do problema da troika em relação a Portugal”, justificou o secretário-geral da CGTP-IN.

Pouco depois, Carlos Silva saiu em defesa do ministro das Finanças do executivo minoritário socialista.

“A UGT vê com bons olhos a possibilidade de Mário Centeno ser presidente do Eurogrupo. Como português, tenho de apoiar a candidatura, para mais porque, além de ser boa para Portugal, é também boa para a Europa”, sustentou o secretário-geral da UGT.

Carlos Silva, líder da UGT

Para Carlos Silva, a candidatura de Mário Centeno representa “uma mudança política” no Eurogrupo, porque “vem de um Governo que é já considerado um ‘case study’ na União Europeia”.

Perante os jornalistas, o presidente da CES classificou a reunião com António Costa como “muito positiva”, sobretudo em torno de matérias como as políticas de convergência, coesão entre Estados-membros e reforço da proteção social no trabalho.

“Não podemos perder esta oportunidade para reforçar o pilar social da União Europeia”, acrescentou.

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