Censo de Garajaus indica a presença de 7.240 aves nidificantes nos Açores

Foto: GaCS/Paulo Henrique Silva

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar adiantou que o Censo de Garajaus realizado este ano permitiu concluir que existem, atualmente, 7.240 aves nidificantes no arquipélago.

Foto: GaCS/Paulo Henrique Silva

Segundo Filipe Porteiro, estimaram-se 2886 casais de garajau-comum (Sterna hirundo), distribuídos por 128 colónias em todo o arquipélago, 733 casais de garajau-rosado (Sterna dougallii), distribuídos por 23 colónias em todas as ilhas exceto em São Jorge e São Miguel, e um par de garajau-de-dorso-preto (Onychoprion anaethetus) a nidificar no Ilhéu da Praia, na Graciosa.

O Diretor Regional acrescenta, no entanto, “que não entram nesta estimativa os garajaus que nasceram este ano e que completam a população destas espécies no arquipélago”.

Filipe Porteiro afirma que, em 2019, o número de aves a nidificar na Região foi “inferior ao valor de referência, que é de 4000 casais de garajau-comum e de 1000 casais de garajau-rosado”, mas refere que “a estimativa deste ano, per se, não é motivo de preocupação, dado que os censos mostram que as oscilações são frequentes”.

“O garajau-rosado já oscilou entre 1353 casais, em 2008, e 526 casais, em 1999”, exemplifica.

O Censo de Garajaus realiza-se anualmente em todas as ilhas dos Açores no âmbito do MoniAves, um programa de monitorização da Diretiva Quadro Estratégia Marinha, e é coordenado pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, em colaboração com a Direção Regional do Ambiente e os Parques Naturais de Ilha.

Este ano participaram nas contagens cerca de três dezenas de pessoas, entre Vigilantes da Natureza e técnicos dos Parques Naturais de Ilha, investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e técnicos da Direção Regional dos Assuntos do Mar.

O censo populacional de garajaus é efetuado por mar, através da contagem das aves em todas as colónias de nidificação em torno da costa das nove ilhas, e por terra, no caso das colónias interiores.

Filipe Porteiro refere que “os garajaus são, provavelmente, os organismos marinhos monitorizados há mais tempo de forma regular nos Açores” e lembra que os trabalhos com estas espécies se iniciaram em 1984, “no âmbito de uma expedição da Royal Society for Protection of Birds (RSPB), que percorreu num veleiro a costa de todas as ilhas e, pela primeira vez, identificou e monitorizou as principais colónias”.

O Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores deu continuidade a este trabalho de forma mais regular a partir de 1993, tendo o Governo Regional assumido a monitorização dos garajaus a partir de 2016.

A recolha de dados populacionais das aves marinhas com estatuto de proteção regional, comunitária e internacional constitui uma obrigação legal no âmbito da Diretiva Aves (Rede Natura 2000), da Diretiva Quadro Estratégia Marinha e tem também enquadramento na Convenção OSPAR.

O livro ‘As Saudades da Terra’, de Gaspar Frutuoso, refere a presença de garajaus, sem identificar a espécie, nas ilhas do Faial, Pico, Terceira e Santa Maria.

Foi em 1860 que o garajau-comum foi referido pelo naturalista francês Arthur Morelet, no seu livro “História Natural dos Açores”, como a espécie de garajau que ocorre no arquipélago dos Açores.

A primeira referência à presença do garajau-rosado na Região foi descrita pelo naturalista Frederik Godman,, em 1865, com o registo da observação de seis aves em voo junto ao Morro de Castelo Branco, no Faial.

Em 1960, o casal de ornitólogos Mary e David Bannerman refere que os Açores se constituem como um dos principais locais de nidificação de garajau-rosado do Atlântico-Nordeste.

Atualmente, esta espécie nidifica regularmente em todas as ilhas, sobretudo em ilhéus livres de predadores, sendo mais abundante nas Flores, Terceira e Graciosa.

Já a nidificação nos Açores do garajau-de-dorso-escuro é, segundo Filipe Porteiro, “algo surpreendente”, dado que o local de reprodução mais próximo é o arquipélago de São Tomé e Príncipe.

A presença desta espécie no ilhéu da Vila, em Santa Maria, é conhecida desde 1903, quando o ornitólogo escocês William Olgivie visitou a ilha.

O garajau-de-dorso-escuro é observado a nidificar no ilhéu da Praia desde 2004, de acordo com os dados mais recentes da investigadora Verónica Neves, do Departamento de Oceanografia e Pescas.