A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) tem vindo a acompanhar e a colaborar para que se navegue esta pandemia com o impacto mínimo sobre o emprego.

As empresas têm-se empenhado fortemente, no sentido de reter o máximo possível de trabalhadores permanentes e ocasionais, mesmo perante quebras muito significativas, ou de inexistência de negócio.

Pretender que os apoios governamentais sejam condicionados à manutenção de 100% dos postos de trabalho, como agora pretende a proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE), constitui um anacronismo fatal para muitos dos postos de trabalho, que são sustentáveis em face de situações que só são viáveis com reestruturação das empresas.

Esta situação é também reconhecida pelo Governo da República, quando mantém o apoio não a 100%, mas em proporção dos empregos mantidos, desde que em valor superior a 70%, possibilitando desta forma alguma reestruturação das empresas.

Constitui miopia inaceitável não reconhecer, como se evidencia na proposta do Bloco de Esquerda, a realidade que impende sobre nós e as medidas que são necessárias para que se mantenha, no geral, a capacidade produtiva na economia regional, salvaguardando a grande maioria dos postos de trabalho. Desta forma, as empresas estarão em situação de reposição do nível de emprego, aquando da verdadeira retoma.

A política do tudo ou nada, como parece desejar o BE, neste contexto, pode conduzir a nada, ou seja ao encerramento de empresas, com a inerente perda de muitos empregos. A CCIA rejeita totalmente esta proposta.