A juntar a todas questões sociais e económicas que decorreram da alteração do paradigma do uso da Base das Lajes, na ilha Terceira, e aos custos de oportunidade perdida pela sua presença, ou seja, a utilização daquela infraestrutura militar induziu no poder regional a justificação para a não necessidade de encontrar alternativas, em tempo útil, para a economia terceirense. Quando era por demais evidente que mais tarde ou mais cedo, sem abdicarem do seu uso, os Estados Unidos iriam alterar a sua permanência, quer em termos da dimensão do seu contingente militar, quer ainda ao nível das condições oferecidas aos militares estado-unidenses que ali fazem comissões de serviço.

A tecnologia por um lado e a deslocalização do foco da sua atenção sobre o domínio geopolítico e estratégico e, por outro lado, não menos importante o facto de Portugal ser um membro da NATO e ter, por essa condição, de contribuir para o esforço de guerra desta aliança militar que, na sua génese era defensiva, mas que depois da intervenção na antiga Jugoslávia passou, de forma clara e sem rodeios a ser uma organização militar ofensiva, com os resultados nefastos que se conhecem.

Mas se a economia e o tecido social terceirense sofreu um duro golpe com este “abandono”, outro se tem estado a preparar, e não é de agora.

Lembro-me de, já lá vão uns anos, em reuniões que mantive com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, mas também com a Câmara do Comércio de Angra ter sido alertado para um problema que a verificar-se seria, esse sim, uma grande calamidade para a Ilha Terceira. A crise na fileira do leite.

E a preocupação nem sequer se centrava na liberalização do mercado, como veio a acontecer com o fim das quotas. A preocupação centrava-se no monopólio da indústria de transformação, a PRONICOL. Empresa do grupo LACTOGAL que detém a maioria do capital social da PRONICOL, sendo que a UNICOL (cooperativa de produtores) detém apenas 49% da indústria de transformação de leite. Relação que deixa os produtores terceirenses prisioneiros de uma estratégia industrial que não serve a produção terceirense pois, tem associada a desvalorização de uma matéria prima de elevada qualidade e a consequente desvalorização do preço pago pelo leite entregue à monopolista PRONICOL.

Não sendo uma novidade, a verdade é que esta situação começa a afetar de forma dramática os produtores de leite da Terceira e coloca em causa um setor estruturante da economia da ilha.

Os produtores estão manietados pela gestão da PRONICOL e pela inércia dos seus representantes na UNICOL. Os poderes públicos não podem ficar, como têm estado, indiferentes a este drama, sob pena de mais mês menos mês, mais ano menos ano, haver necessidade de um segundo PREIT. E como sabemos não é com PREITs que lá vamos, e o Turismo será sempre complementar.

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