“Ninguém se deve abster de fazer campanha”, defendeu André Bradford, falando à agência Lusa no dia seguinte a se saber que o PSD não terá candidato açoriano nas europeias de maio, com o líder dos sociais-democratas açorianos, Alexandre Gaudêncio, a admitir que poderá não haver campanha “laranja” no arquipélago.

A campanha, sublinha Bradford, “já não é em prol deste ou daquele partido, é em prol da presença política dos Açores na União Europeia”, devendo por isso abranger “todos”, até porque os Açores tiveram apenas 20% de votantes no último sufrágio para o hemiciclo europeu.

“Há uma obrigação política de todos de fazer com que isso não seja assim agora nas eleições de maio. Dessa obrigação, acho que ninguém se deve eximir, é o dever daqueles que têm candidato, dos que não têm candidato, daqueles que têm responsabilidades políticas na região”, prosseguiu o candidato socialista.

Para Bradford, é “óbvio e natural que os Açores ficariam muito melhor representados” no Parlamento Europeu com dois eurodeputados, “ainda por cima” integrados “nas duas maiores famílias políticas” europeias.

“Tenho a certeza que se o papel que me cabe é ser o único representante da Região Autónoma dos Açores no Parlamento Europeu, pois é esse papel que vou desempenhar com todo o estímulo, vontade e capacidade de agregar a região”, prosseguiu o socialista açoriano, que segue na lista nacional do partido às europeias em 5.º lugar, posição tida por elegível.

A Comissão Política Nacional do PSD aprovou na quarta-feira o princípio de que nas eleições europeias as regiões autónomas passam a ter um lugar nos lugares eleitos no mandato anterior e outro num “lugar importante”, tendo atribuído este ano à Madeira o sexto lugar e aos Açores o oitavo, considerado já de muito difícil eleição.

“A primeira consequência é não indicarmos ninguém, porque não aceitamos lugares de segunda”, afirmou Alexandre Gaudêncio aos jornalistas na noite de quarta-feira.

O líder do PSD/Açores salientou que existia a “legítima expectativa” de a região ter um lugar elegível, quer devido à tradição existente no partido, quer pelo nome que indicaram, o antigo presidente da Assembleia da República João Bosco Mota Amaral.

“Infelizmente, esta tradição foi quebrada hoje [ontem], dissemo-lo olhos nos olhos em frente ao líder do partido e em frente de toda a direção nacional que, a partir deste momento, irá haver consequências políticas em relação à própria campanha das europeias”, afirmou.

Questionado que consequências serão essas, Alexandre Gaudêncio disse que ainda serão discutidas internamente, mas admitiu que “provavelmente será não fazer qualquer campanha política nos Açores”.