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Na segunda quinzena do mês de setembro, o Gabinete dos Assuntos Sociais da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, dando continuidade ao projeto de promoção da literacia em saúde mental dos seus munícipes, promove a temática relacionada com o processo de luto.

O luto é uma reação natural à perda e um processo que tem como objetivo adaptarmo-nos a uma nova realidade resultante dessa perda. O conceito de “luto” está inevitavelmente associado ao processo posterior à morte de um ente querido. No entanto, importa realçar que o luto não significa apenas a morte de um ente querido, pois quando estamos perante o diagnóstico de uma doença, o fim de uma relação signi­ficativa, a perda de emprego, ou quando perdemos um animal de estimação, estamos igualmente a falar de luto, ou seja, todas estas situações são exemplos de perdas que o indivíduo passa ao longo da sua vida e que necessita de tempo para as ultrapassar.

Podemos pensar, após uma perda significativa, que o luto é permanente, mas na realidade o luto não é um estado permanente, mas sim um processo pessoal. Este processo implica passar por diferentes fases/momentos (da negação ao choque, tristeza e aceitação), emoções intensas (desespero, raiva, angústia, sentimento de vazio), diferentes respostas do corpo (agitação ou falta de energia, exaustão ou apatia, ausência ou excesso de apetite, dificuldade em dormir e/ou em acordar ou dormir demasiado), pensamentos ambivalentes e contraditórios (não conseguir parar de pensar no acontecimento, sentir-se zangado, culpado, aliviado ou confuso, não sentir nada, ter medo ou ansiedade em relação ao futuro) ou um impacto negativo no nosso comportamento (não conseguir tomar decisões, não ter vontade de estar com ninguém, beber demasiado, tomar medicação não prescrita, não ter interesse em coisas que habitualmente dão prazer, passar grande parte do tempo a chorar ou ter a necessidade de estar sempre ocupado).

Assim, podemos concluir que cada pessoa reage ao luto de forma diferente e que as nossas características e circunstâncias podem também facilitar ou prolongar o processo de luto. O luto pode ser particularmente complexo para alguém com dificuldades pessoais (por exemplo isolamento social, problemas financeiros, desemprego) ou problemas de saúde psicológica (stresse, ansiedade, depressão).

Por isso, não existe um tempo determinado ou uma forma certa de fazer um luto. No entanto, o processo de luto é necessário para permitir aceitar o que aconteceu e adaptarmo-nos a uma nova realidade, encontrando formas de lidar com a perda e encontrarmos um novo sentido.

Por fim, é de extrema importância referir que existem algumas estratégias que podem ajudar na recuperação emocional e na promoção de um processo de luto saudável, por exemplo: Respeitar e aceitar os seus sentimentos, pois é natural experimentar emoções intensas e pensamentos contraditórios durante o processo; Não se isolar, partilhando os seus sentimentos com um familiar ou amigo que pode ajudar a reduzir a solidão e a tristeza; Cuidar de si, mantendo as rotinas habituais e praticando o autocuidado, promovendo uma melhoria na forma como pensa e como se sente; Regressar a momentos felizes, permitindo-se retomar a sua vida, sem culpa, pois sorrir e realizar atividades que nos dão prazer, não significa que esquecemos quem ou o que perdemos.

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