“Lembrei-me das questões relacionadas com aquilo que dizia o educador norte-americano John Dewey, que defendia que se deve aprender fazendo. Foi com base nisso que o jogo nasceu”, explica à agência Lusa Igor França, coordenador das áreas da Cultura e Educação na Câmara da Lagoa, que propôs o jogo à escola após ter ficado “muito impressionado” com o trabalho desenvolvido pelos alunos nas disciplinas de informática.

“Há dois anos, numa sessão com um conjunto de especialistas na área dos videojogos, foi apresentado um jogo criado pelos alunos e fiquei muito impressionado com a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Propus ao conselho executivo que se criasse um videojogo para complementar as visitas de estudo e que fosse um jogo de estratégia orientado para as questões da descoberta e povoamento dos Açores”, refere.

O jogo tem vindo a ser desenvolvido desde 2017 por alunos do 12.º ano, integrado em iniciativas sobre a história, geografia e cultura dos Açores, organizadas pelo município. Dentro de dois anos, esperam lançar o videojogo ao público.

“Ainda temos dois anos até lançar o jogo ao público. Ele destina-se a um público escolar em primeira análise, mas poderá ter uma amplitude diferente. A nossa ideia é que o jogo seja utilizado como ferramenta para o 3.º ciclo, mas isso dependerá do grau de complexidade que ele venha a adquirir”, aponta Igor França.

A investigação histórica para o jogo foi “bastante aprofundada” e pretende dar uma visão “abrangente” das expedições portuguesas do século XV.

O jogo começa no castelo de Lagos, de onde partem as expedições, que em primeiro lugar se fazem ao longo da costa africana. Depois, quando têm de voltar para trás, fazem uma volta para apanhar ventos favoráveis. Nessas voltas, descobrem a Madeira e os Açores.

O jogo vai permitir perceber que instrumentos náuticos eram usados e como foi feita a exploração das terras na chegada aos Açores.

Na opinião de Igor França, existem na iniciativa “perspetivas pedagógicas muito importantes.”

“Os alunos aprendem ao fazer o jogo propriamente dito e poderá ser jogado por alunos de fora do arquipélago. Nós estamos a tentar que o jogo seja o mais empático possível junto dos jovens, procurando uma experiência personalizada”, assinala, dando como exemplo a criação de “diferentes personagens”, relacionadas com o povoamento das respetivas ilhas.

O projeto do videojogo vai ser apresentado ao público hoje, pelas 16:00 locais (menos uma do que no resto do país), no auditório do Expolab, na Lagoa, com a presença da secretária regional da Educação e Cultura, da Casa do Povo de Água de Pau, do Nonagon e da empresa Globaleda, entidades parceiras no projeto.

Avelino Meneses destaca importância do videojogo ‘Descoberta e Povoamento dos Açores’

O Secretário Regional da Educação e Cultura considerou, na Lagoa, em S. Miguel, que o projeto, em formato de videojogo, sobre a ‘Descoberta e Povoamento dos Açores’ é “importante” para o sistema educativo regional.

Para Avelino Meneses, que participou sábado na apresentação do projeto, que está a ser desenvolvido na Escola Secundária da Lagoa, em parceria com a Câmara Municipal, esta iniciativa “cruza” os objetivos da reforma curricular do ensino básico em curso na Região com o “incentivo” ao uso da tecnologia.

O projeto cumpre “objetivos determinantes” do sistema educativo regional, acrescentando Avelino Meneses que “possui” enquadramento na reforma curricular, contribuindo para a “conservação de referências regionais e locais que impelem à fixação e à perpetuação da identidade açoriana”, além de promover as novas tecnologias “enquanto auxiliares de uma melhor aprendizagem”.

Este videojogo, que deverá estar concluído dentro de dois anos, vai dar “um novo fôlego” ao ensino da História, conferindo-lhe “maior utilidade”, porque a “atual era da globalização, iniciada por Portugal há mais de meio milénio, através da utilização sistemática das ilhas, é um tempo de descaraterização”, acrescentou.

Para o Secretário Regional da Educação, num mundo da descaraterização, “o resgate e a preservação” de uma identidade, como a Açoriana, constitui “uma mais valia que reverte em superioridade moral e progresso material”.

O projeto agora apresentado conta com o apoio do Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Educação e Cultura, da Casa do Povo de Água de Pau, do NONAGON – Parque de Ciência e Tecnologia de S. Miguel e da empresa Globaleda.

Esta iniciativa assume-se como uma resposta aos desafios colocados às escolas pelo currículo regional, nomeadamente na área da História, Geografia e Cultura dos Açores,recorrendo à estratégia da designada gamificação, com vista a disponibilizar aos alunos um modo de aprendizagem apelativa numa conjugação de formas de ensino formal e não formal.