Caloura Blues aposta em diferentes expressões artísticas

O Festival Caloura Blues, que irá ter lugar nos dias 26 e 27 de julho, na Baixa D’Areia, em Água de Pau, concelho de Lagoa, irá contar com diferentes expressões artísticas. Para além dos espetáculos musicais de Boo Boo Davis, Paulo Gonzo, Luís Barbosa Band e The Ramblers, no recinto estarão em destaque o projeto a Avó Veio Trabalhar, onde 19 avós mostrarão a sua fibra e os seu trabalhos, uma escultura denominada de Plastik Kraken, numa alusão ao monstro nórdico que atacava os barcos que poluíam o oceano, e que foi executada pelos alunos da Escola Secundária de Lagoa, e uma instalação artística de Beatriz Brum, que privilegia o artesanato característico da vila de Água de Pau.

Beatriz Brum tem 26 anos, é natural de Lagoa e estudou Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. A artista usa a luz como matéria para os seus trabalhos. A instalação que irá utilizar na Baixa d’Areia, inserida na programação do Festival Caloura Blues, nasce de uma resposta a um desafio proposto pela Câmara Municipal de Lagoa, em que teria de usar peças artesanais feitas em vime, por caracterizarem o artesanato local.

A obra Drawing Shadows With Light surge, tal como o nome indica, da intenção de trabalhar as sombras dos desenhos das peças em vimes através da luz. As sombras são projetadas numa superfície pontualmente colorida, enaltecendo os desenhos produzidos manualmente pelos artesãos através desta técnica artesanal.

Já a escultura que os alunos da Escola Secundária de Lagoa irão expor no Caloura Blues será um «Monstro Marinho», numa figura animada, mitológica ou imaginária, que aparece como metáfora ao pior predador da história do planeta – o Homem. Este «monstro», concebido e construído pelos alunos do 8ºD e 8ºG da Escola Secundária da Lagoa, alimenta-se dos detritos das atividades e consumos humanos que, inconsciente e inconsequentemente, sugam e aniquilam recursos naturais, agindo pretensiosamente como se fossem a única espécie (e a única geração) que importa.

A escultura foi construída com plásticos, cordas, embalagens e tecidos recolhidos por voluntários na costa marítima do concelho de Lagoa. Tem pintadas várias mensagens e animais apanhados diariamente pelo «monstro». Os alunos quiseram com este trabalho, que nos dias 26 e 27 estará exposto no Festival Caloura Blues, sensibilizar para o uso abusado dos plásticos e incentivar ao respeito pela natureza, por todas as formas de vida, pelo ar que respiramos e pela água que bebemos.

A Avó veio trabalhar é um espaço criativo de cocriação artesanal para pessoas com mais de 65 anos. Teve início, em 2014, com 12 avós e, em 2018, conta com mais de 70 pessoas. A iniciativa usa o design e os lavores domésticos para empoderar e aumentar o poder de intervenção comunitária dos participantes. Em 2015, a Time Out Lisboa, atribuiu o prémio “Melhor Ideia do Ano”, em 2016 a iniciativa recebeu um prémio da Bienal Ibérico-Americana de Design e, em 2018, esteve presente na Dutch Design Week.

A ida para São Miguel aconteceu este ano, com a vontade de replicar esta experiência noutros territórios nacionais. O desafio surge por parte do CRAA – Centro Regional de Apoio ao Artesanato e da Câmara Municipal de Lagoa e, atualmente, a equipa conta com a participação de 19 pessoas.