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O bloco de grandes economias emergentes BRICS reúne-se na quinta-feira, numa altura em que China e Rússia tentam alargar o grupo, visando aumentar a sua influência política, em contraste com a posição mais cautelosa do Brasil e Índia.

China e Rússia defendem abertamente a construção de uma nova ordem mundial. A aliança estratégica foi reafirmada recentemente pelos líderes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, respetivamente, durante uma conversa por telefone, realizada na semana passada.

“A Rússia e a China estão mais alinhadas hoje do que em qualquer outro momento desde o fim da Guerra Fria”, apontou Minxin Pei, especialista sino-norte-americano em assuntos de governação da China.

O relacionamento começou como um “casamento de conveniência”, mas à medida que as relações entre os dois países e o Ocidente se tornaram mais hostis, Pequim e Washington entenderam que “apenas um alinhamento estratégico próximo pode reduzir a sua vulnerabilidade mútua”, descreveu.

O bloco BRICS ganhou expressão em 2001, quando o economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs, publicou um estudo intitulado “Building Better Global Economic BRICs”, sobre as grandes economias emergentes.

O grupo reuniu-se pela primeira vez em 2009 e logo estabeleceu uma agenda focada na reforma da ordem internacional, visando maior protagonismo dos países emergentes em organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. O bloco passou a incluir a África do Sul no ano seguinte.

Na visão de Pequim e Moscovo, a ascensão dos BRICS ilustra a emergência de “um mundo multipolar”, expressão que concentra a persistente oposição dos dois países ao “hegemonismo” ocidental, e em particular dos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Lusa, o embaixador do Brasil em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, considerou, porém, que “é preciso ser realista quanto à capacidade de atuação política” conjunta do BRICS.

“O BRICS não é uma aliança política para atuar na ONU ou onde quer que seja. Como atuação política no cenário internacional há limites no que pode ser feito”, afirmou o diplomata.

O bloco é composto por países com “circunstâncias bastante diferentes”, acrescentou.

Também a Índia parece discordar com os objetivos estratégicos definidos pela China e Rússia.

Disputas fronteiriças e a luta pela influência no Indo-Pacífico colocaram Nova Deli numa posição de crescente antagonismo face a Pequim, aproximando o país dos Estados Unidos.

A China, que ocupa a presidência rotativa do bloco este ano, disse na semana passada que apoia ativamente a expansão do grupo, um dia após o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, ter dito que Arábia Saudita e Argentina querem integrar o bloco.

Os dois países são membros do grupo de países G20. A sua inclusão no BRICS serviria assim para aumentar o perfil do bloco, face ao G7, que reúne as sete maiores economias do mundo.

“A China, apoiada pela Rússia, está a acelerar o processo de expansão dos BRICS, como parte do desafio estratégico à ordem internacional e de reunir potências médias ao seu redor”, escreve Gurjit Singh, antigo embaixador da Índia na Alemanha, Indonésia ou União Africana.

“A Índia deve assegurar que a expansão não é feita nos termos chineses e que os países admitidos são igualmente recetivos à Índia”, acrescentou.

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