Bolieiro destaca “o valor e o prestígio” dos Colóquios da Lusofonia

O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada destacou, esta tarde, em Belmonte, ”o valor e o prestígio” dos Colóquios da Lusofonia.

José Manuel Bolieiro sustentou que “o país e o mundo precisa de reconhecer o trabalho da AICL – Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia”  pela capacidade de mobilizar os povos da lusofonia e de potenciar as suas afinidades.

“Não se pode pela lusofonia diminuir a pluralidade ou diversidade de povos que representamos. Deve promover-se esta diferença e encontrar um elo de ligação afetuoso e de identidade patrimonial que só a língua pode permitir”, arguiu o edil.

“Não estamos a usar a língua como facilitador de comunicação, como acontece com o inglês. Trata-se de uma identidade falante e cultural, de uma relação afetuosa entre povos tão diversos e tão díspares na geografia planetária”, ressalvou, acrescentando que “a língua portuguesa une a diversidade e é geradora de harmonia e de identidade”.

O Presidente do Município, que falava na sessão de abertura do  XXXI Colóquio Internacional de Lusofonia, manifestou a sua preocupação quanto à evolução da língua e alertou para a sensibilidade de “não fazer evoluir a língua de acordo com os sons, mas antes coma etimologia das palavras”, de forma a não incorrer no risco de perda de identidade e de referência.

Bolieiro afirmou ser uma honra institucional participar no XXXI Colóquio Internacional de Lusofonia, dirigindo uma palavra de apreço ao Presidente da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia “por esta oportunidade e por aquilo que há de gerar na parceria mais intensa entre o Município de Ponta Delgada e os Colóquios da Lusofonia, e ao Presidente da  Empresa Municipal de Promoção e Desenvolvimento Social de Belmonte (EMPDS) “pelo acolhimento, pela amistosa receção e pelo envolvimento nesta causa”.

“Cumpridor da palavra dada espero poder realizar e receber-vos em Ponta Delgada, no próximo ano, para não só aprofundarmos reflexões, mas também para usufruírem das belezas da natureza que os Açores tem e Ponta Delgada duplica”, rematou, em jeito de convite.

No início da sua intervenção, o Presidente partilhou ter assinado, no período da manhã, um protocolo de cooperação cultural com Belmonte, que visa incentivar o desenvolvimento da cooperação cultural hebraica entre o Museu Judaico de Belmonte e o Museu Hebraico Sahar Hassamain (Portas do Céu) – antiga Sinagoga de Ponta Delgada.

“Ponta Delgada é, tal como Belmonte, uma cidade que se revelou como (também) de tolerância. Fomos destino de abrigo e acolhimento de judeus, que, perseguidos, encontraram em Ponta Delgada uma oportunidade para se instalarem e poderem viver e conduzir a sua existência com tranquilidade e  liberdade pelos seus usos, costumes e opções confessionais”, sustentou Bolieiro.

O edil sensibilizou para “em tempos em que se assiste a alguma de intolerância, populismo, e objeção em relação aos movimentos migratórios, à pluralidade e à diversidade, é bom contrariarmos esta tendência e é bom demonstrarmos com atos aquilo que é um património de identidade cultural e do povo quanto a acolhimento, tolerância, compreensão da diversidade e harmonia humanitária”.

“Este não foi um formal  ato de assinatura de um papel, mas antes a evidência de uma prática histórica que nos honra, e que devemos, enaltecendo-o, promovê-la, divulgá-la, para fazer pedagogia positiva”, concluiu.

 

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