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O presidente do Governo Regional açoriano, José Manuel Bolieiro, afirmou hoje que a economia do mar é “relevante para Portugal por causa dos Açores”, durante a consignação da exploração da conserveira Santa Catarina à sociedade privada SCA.

“A economia do mar é relevante para Portugal por causa dos Açores. Se a história do país tem especial ligação com a aventura marítima, pode ter enorme futuro com a economia do mar pela sustentabilidade”, declarou.

A assinatura do auto de consignação da exploração da fábrica Santa Catarina pela SCA – Sociedade Conserveira Açoriana decorreu hoje, na Calheta, ilha de São Jorge.

Na cerimónia, José Manuel Bolieiro reiterou a importância de assegurar a sustentabilidade dos oceanos, através de uma “economia azul” que garanta uma “fileira com um preço justo a distribuir por todos”: pela produção e transformação, pelos trabalhadores e pelo “erário publico”.

O presidente do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) considerou a consignação da Santa Catarina um “dia histórico”, deixando uma “palavra de esperança” aos trabalhadores e aos jorgenses.

“Nas conservas, na qualidade e diferenciado que a Santa Catarina aqui representa, há também uma narrativa relativamente à arte extrativa nesta fileira da economia do mar. Nós temos uma consciência de sustentabilidade”, afirmou.

O social-democrata destacou o “reformismo” do atual Governo Regional, que “quis distinguir a Santa Catarina” dentro das empresas do setor público empresarial.

“Estamos a assumir que a privatização através desta gestão era vantajosa para este complexo contraditório: entre libertar um passado negativo, tóxico, para potenciar um futuro fundado numa história de excelência”, prosseguiu.

José Manuel Bolieiro reforçou que o executivo “está a libertar a nova gestão do passado tóxico”, uma vez que a região assumiu a dívida da Santa Catarina, mas lembrou que a consignação prevê uma “renda anual”, o que exige uma “gestão lucrativa”.

“Estamos aqui a fazer pioneirismo numa solução disruptiva que confere critério, confiança e, porque não dizê-lo, paradigma para avaliar e como gerir para o futuro o setor público empresarial”, apontou.

E acrescentou: “É por isso bom que todos os que muitas vezes se dedicam à crónica do maldizer saibam a verdade e a responsabilidade do que aqui estamos a gerir”.

Em declarações à agência Lusa, o responsável pela SCA, Rogério Veiros, assegurou a permanência dos funcionários da conserveira açoriana e disse que a fábrica até precisa de “aumentar o número de trabalhadores disponíveis”.

Em 26 de fevereiro, tinha sido anunciado que o agrupamento de Rogério Veiros, que presidiu à Santa Catarina entre 2015 e 2021, tinha ficado em primeiro lugar no concurso público para explorar a conserveira, por mais de sete milhões de euros.

“Teremos que pagar nos próximos dez anos uma renda mínima anual de 206 mil euros e, no final dos dez anos, temos o direito de exercer a opção de compra no valor de cinco milhões de euros”, referiu o novo responsável pela Santa Catarina.

Construída em 1940, a fábrica de atum Santa Catarina está instalada na Fajã Grande, na Calheta, ilha de São Jorge, e tem 140 trabalhadores, que o privado se comprometeu a manter.

Em 2008, o Governo Regional, liderado pelo PS, anunciou a decisão de comprar a fábrica de conservas Santa Catarina para evitar o desemprego de mais de uma centena de trabalhadores, mas a unidade continuou a enfrentar dificuldades.

O atual Governo dos Açores revelou em fevereiro que vai assumir a dívida bancária da conserveira Santa Catarina, num valor superior a 6,6 milhões de euros, segundo um despacho publicado em Jornal Oficial.

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