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O BE/Açores afirmou hoje que a preocupação social do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) é “propaganda”, alertando que o endividamento zero previsto na proposta de Orçamento para 2023 implica “menos investimento” na saúde e educação.

“O discurso de que este Governo [Regional] tem uma grande preocupação social não passa de propaganda. E a proposta de Orçamento para o próximo ano mostra que esta coligação de direita dá mais importância aos números do que às pessoas”, condenou a deputada Alexandra Manes.

A bloquista falava hoje no arranque da discussão do Plano e do Orçamento para 2023 na Assembleia Legislativa Regional, na Horta.

Manes acusou o Governo dos Açores de “virar as costas aos açorianos” quando estes “mais necessitam”, classificando os apoios sociais anunciados pelo executivo como a “atribuição de migalhas” e de “esmolas”.

A deputada do BE alertou que o Orçamento para 2023 contempla “menos 140 milhões de euros” por comparação a 2022.

“O endividamento zero é sinónimo de menos investimento em áreas essenciais, como a saúde e a educação, que o próprio Governo [Regional] reconhece que estão a precisar de muito investimento. A contradição é enorme”, visou.

Alexandra Manes criticou o “desinvestimento” na área da saúde, destacou que existe “falta de professores” nas escolas açorianas e condenou as verbas destinadas à cultura.

“As medidas que o governo apresenta neste Orçamento são curtas e insuficientes. Por isso, o Bloco vai propor um conjunto de propostas com maior alcance que permitam reduzir significativamente o risco de pobreza, garantir o direito à habitação e aumentar rendimentos”, reforçou.

A parlamentar considerou ainda um “absurdo” o “ataque do vice-presidente do Governo Regional a todos os médicos e todas as médicas” no arquipélago.

Para a bloquista, as declarações do vice-presidente do Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, demonstram que o “CDS é capaz de tudo para defender o seu conselho de administração no Hospital de Ponta Delgada”.

Em causa estão declarações de Artur Lima, que, na semana passada, afirmou que os médicos “não podem usar o dinheiro como moeda de troca para dispensar” a prestação de cuidados, considerando que tal é uma “violação grosseira” da ética.

O Orçamento dos Açores para 2023, de cerca de 1,9 mil milhões de euros, começa hoje a ser debatido no plenário da Assembleia Legislativa Regional, onde a votação final global deve acontecer na quinta ou na sexta-feira.

O terceiro orçamento do atual Governo, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, chega ao parlamento sem as ameaças de chumbo feitas no ano anterior pelos deputados com quem os partidos da maioria têm acordos de incidência parlamentar – Chega, Iniciativa Liberal (IL) e deputado independente (ex-Chega).

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um deputado independente (eleito pelo Chega).

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