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A deputada do BE/Açores Alexandra Manes criticou hoje o corte de verbas destinadas à cultura nas propostas de Plano e Orçamento da Região para 2023, anunciando que o partido vai propor um reforço no setor.

“O Bloco de Esquerda vai bater-se contra esta injustiça e esta insensatez do governo do PSD, CDS e PPM, apoiado pela IL e pelo CH, e no âmbito da discussão do Plano e Orçamento da Região para o próximo ano vamos propor um reforço do orçamento para o setor da cultura”, afirmou.

Alexandra Manes falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na sessão de abertura das “Conferências Zuraida Soares”, que marcaram o arranque das jornadas parlamentares do BE/Açores.

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A deputada do BE disse que o orçamento público da cultura nos Açores é “habitualmente miserável” e volta a “sofrer cortes” nas propostas de Plano e Orçamento para 2023 apresentadas pelo executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM.

“Este ano, havendo fortes possibilidades de os Açores virem a ter uma Capital Europeia da Cultura [Ponta Delgada] com um impacto positivo tremendo em todas as ilhas e numa altura em que os agentes culturais estão a voltar a pôr-se de pé depois de dois anos de paralisação quase total devido à pandemia, seria de esperar uma atenção especial para o setor, mas a opção deste governo vai no sentido contrário e reduz o orçamento da cultura”, criticou.

Alexandra Manes lamentou que a cultura seja “sempre, historicamente, o primeiro setor a sofrer cortes no seu orçamento” e sublinhou que “não pode ser assim”.

“A cultura é fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade, quer ao nível da educação, quer da compreensão do mundo que nos rodeia, e do até do ponto de vista da saúde mental, mas também a nível económico e financeiro”, apontou.

A parlamentar bloquista alertou ainda para os “efeitos da crise inflacionista”, alegando que “a obrigação do Estado e da região é criar as condições e os apoios necessários para que as pessoas consigam continuar a viver com dignidade”.

“O aumento vertiginoso da inflação a que estamos a assistir tem várias causas e muitas consequências. A consequência mais visível é a perda de poder de compra. Ou seja, com o mesmo dinheiro vamos passar a poder comprar cada vez menos produtos. Isso significa que vamos empobrecer”, frisou.

As conferências iniciadas hoje, que o BE pretende realizar anualmente, prestam homenagem à primeira deputada do partido nos Açores, Zuraida Soares, que morreu em 2020.

“Zuraida é uma referência enquanto mulher, enquanto ativista, enquanto política. Era uma mulher da paz que nunca se esquivou a nenhuma luta no sentido de repor a justiça e a liberdade. Exigente e intransigente quando defendia o que acreditava. Mas, também era compreensiva, solidária e meiga”, salientou Alexandra Manes.

Com a participação de Ana Brum, Peter Cann e Alexandre Abreu, as conferências debruçaram-se sobre três questões: “de que forma a cultura combate as políticas de direita?”, “se a cultura é um direito, como efetivá-lo?” e “aumentar salários piora a inflação?”.

As propostas de Plano e Orçamento dos Açores para 2023 são discutidas e votadas em plenário a partir de 21 de novembro.

PSD, CDS-PP e PPM, que formam governo, têm juntos 26 deputados, necessitando de acordos parlamentares com IL, CH e deputado independente (ex-Chega) para alcançarem maioria, num parlamento composto por 57 deputados, onde estão representados também PS, BE e PAN.

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