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O Bloco de Esquerda/Açores propôs hoje a criação de um passe para transportes coletivos de passageiros nos Açores com um valor máximo de nove euros por mês e a isenção de pagamento para desempregados, reformados e estudantes.

“Este passe de nove euros pretende ser para a população em geral, com preços diferenciados consoante as distâncias e as zonas de que estamos a falar. Para pessoas que estão numa situação de desemprego, estudantes ou reformados, aí poderiam ter isenção de pagamento do passe, aliás, como já acontece em muitas zonas do país, exceto nos Açores”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o coordenador do BE/Açores, António Lima.

O também líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda nos Açores falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem de uma ação de contacto com a população, em que distribuiu, de forma simbólica, passes de mobilidade, propondo um custo máximo de nove euros por mês.

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Segundo António Lima, na ilha Terceira, por exemplo, o passe mensal dos transportes coletivos pode chegar aos 53 euros por mês, numa ligação entre as duas cidades da ilha (Angra do Heroísmo e Praia da Vitória) ou a 60 euros, num percurso maior, que liga Angra do Heroísmo à freguesia dos Biscoitos.

O deputado do BE defendeu que é preciso reduzir “muito significativamente” o preço dos passes e implementar “mudanças mais do que urgentes, que já deveriam ter acontecido”.

“Os transportes coletivos não têm acompanhado a evolução que tem existido no país, para já não falar na Europa. Essa é uma responsabilidade dos vários governos, ao longo dos anos, inclusive do atual governo [açoriano, PSD/CDS-PP/PPM], que não tem olhado para esta matéria com a atenção devida”, acusou.

Para além da redução do preço, o BE propõe que o passe criado dê acesso a transportes urbanos e interurbanos e a transportes marítimos, nas ilhas onde ele existe.

“É importante não só para a carteira das famílias, porque levará claramente a uma redução do custo com o transporte, mas também é importante para o ambiente”, frisou.

O Bloco vai entregar, esta semana, na Assembleia Legislativa dos Açores, um projeto de decreto legislativo regional, que propõe alterações nos preços dos passes e prevê uma forma de compensação financeira das autarquias e das empresas concessionárias do setor.

Questionado sobre o impacto orçamental da proposta, António Lima disse que “estas contas serão feitas a seu tempo”, mas defendeu que a questão financeira não será “um entrave à aprovação de uma medida deste tipo”.

“Quando nós temos um Governo Regional que agora encontrou 10 milhões de euros para pagar salários às empresas que pagam o salário mínimo, por exemplo, ou quando o Governo Regional encontra a cada momento mais dinheiro para implementar as medidas que quer, muitas delas erradas, a questão financeira não é a que mais releva para aqui”, apontou.

“O Governo Regional abdicou de receitas desde que está em funções, baixando impostos a quem não precisava e sobre os lucros, numa altura em que há quem ganhe com a inflação”, acrescentou.

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