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O BE/Açores propôs hoje a “criação imediata” de um apoio ao pagamento de renda para estudantes do ensino superior açorianos deslocados, no arquipélago ou no continente, defendendo mais residências universitárias em edifícios do Governo Regional ou de autarquias.

“Para resolver o problema estrutural, a solução passa por aumentar o número de residências universitárias através da conversão de edifícios do Governo Regional ou das autarquias”, afirmou António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, que esteve hoje reunido com a reitora da Universidade dos Açores.

Como “solução imediata, para ser aplicada já este ano letivo”, o BE aponta “a criação de um apoio do Governo Regional [PSD/CDS-PP/PPM] destinado ao pagamento de renda para os estudantes deslocados”.

“O problema não é novo, mas este ano, devido à retoma do setor do turismo e devido ao aumento da inflação, os estudantes universitários deslocados – quer dentro da região, quer no continente – estão a enfrentar enormes dificuldades para conseguir alojamento a preços acessíveis”, alertou o parlamentar, citado numa nota de imprensa.

Para atenuar o problema no futuro, António Lima defendeu que “a solução deve passar pela criação de parcerias entre a universidade, a região e as autarquias para encontrar edifícios que possam ser convertidos em residências universitárias”.

“Só assim poderá ser dada resposta às necessidades, porque na Universidade dos Açores existem mais de 700 alunos deslocados, mas existem apenas pouco mais de 300 camas em residências universitárias”, disse.

De acordo com o parlamentar, “existem muitos alunos que, mesmo não sendo bolseiros, vivem com grandes dificuldades”, daí a importância de existirem residência universitária para estes alunos, “para não ficarem dependentes dos preços do mercado”.

O deputado do Bloco criticou ainda o Governo Regional “por ter criado uma bolsa para os estudantes universitários açorianos que é injusta e discriminatória”, porque limita a sua atribuição a apenas 150 alunos por ano.

“Não se percebe que a bolsa seja limitada a apenas 150 estudantes, quando mais de 300 candidatos cumpriam todos os critérios”, salientou António Lima, notando que, em 2021, “235 estudantes que cumpriam todos os critérios ficaram de fora”.

“Ou seja, o governo reconhece que eles têm a necessidade de receber esta bolsa, mas acabam por ficar excluídos”, lamentou.

O Bloco propõe, assim, que a bolsa de apoio aos estudantes do ensino superior “passe a ser atribuída automaticamente a todos os candidatos que cumpram os critérios, em vez de estar limitada”.

“Não podemos correr o risco de ter estudantes a desistir do ensino superior por dificuldades económicas”, reforçou António Lima, salientando o “atraso estrutural brutal dos Açores nesta matéria”.

“Apenas 10% dos açorianos entre os 18 e 22 anos frequentam o ensino superior, quando no continente esta percentagem é superior a 40%”, afirmou.

António Lima lembrou também que, em 2019, o PSD apresentou nos Açores uma proposta para a construção de residências universitárias para alunos açorianos deslocados no continente.

“Estamos 2022, o PSD está no governo [Regional], e nada aconteceu”, assinalou.

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