Em conferência de imprensa realizada na delegação da Assembleia Regional em Ponta Delgada, o líder do BE/Açores, António Lima, considerou que as medidas sociais e económicas do executivo açoriano “têm chegado tarde” e “não têm estado à altura da enorme exigência” da atual situação pandémica.

“Além do problema de saúde pública, a pandemia não pode significar uma destruição da economia e o aumento das desigualdades sociais. No entanto, o Governo [Regional] está a permitir que isso aconteça”, declarou.

O coordenador do Bloco de Esquerda nos Açores destacou que o partido irá propor a realização de um estudo para “aferir os impactos do prolongado encerramento” das escolas na ilha de São Miguel, devido à Covid-19.

O BE pretende que a região “garanta imediatamente a atribuição de computadores portáteis” para “todos os alunos” do arquipélago, recordando a aprovação em maio de uma proposta do CDS no parlamento regional que visava precisamente esta medida.

“Continuam a existir alunos em ensino à distância sem acesso a equipamentos informáticos, alguns desde novembro. Sem equipamentos para todos, o ensino à distância é pouco mais do que uma miragem, apesar do esforço de professores e alunos”, afirmou.

O líder parlamentar regional do BE/Açores informou que os encarregados de educação da Escola Básica e Integrada de Rabo de Peixe (que está sob cerca sanitária e onde está proibida a circulação na via pública) receberam uma comunicação para irem à escola levantar “fichas e fotocópias” caso os alunos não tenham acesso a equipamentos informáticos.

“Que cerca sanitária é essa quando se diz que os pais têm de sair de casa para irem à escola buscar fichas de trabalho para os seus filhos?”, questionou.

Para destacar a “iminência de um brutal aumento do desemprego”, António Lima citou um inquérito realizado pelo Serviço Regional de Estatística (SREA) que concluiu que 20% das empresas perspetivam reduzir os postos de trabalho em 2021.

O bloquista criticou as medidas de apoio ao emprego do Governo Regional por permitirem que as “empresas despeçam até 25% dos seus trabalhadores” e defendeu alterações aos programas.

Segundo o BE/Açores, no programa de apoio à liquidez, as empresas devem receber 100% do apoio recebido em 2020 (e não 75%) com a “contrapartida de manterem 100% do emprego, sem exceções”.

O Bloco também defendeu alterações no programa de manutenção do emprego para que os apoios obriguem à “manutenção de todo o emprego, inclusive os trabalhadores precários”.

“Mais uma vez são os trabalhadores desprotegidos, os precários, os primeiros a sentir e a sofrer com a crise. É por isso incompreensível que o governo crie apoios que escancaram desta forma a porta aos despedimentos”, declarou.

Na semana passada, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, avançou que os empresários e empresas que tenham perdido rendimentos e tenham acedido às medidas de antecipação de liquidez e do complemento regional ao ‘lay-off’ simplificado vão ter direito a um valor equivalente a 75% do que receberam em 2020.