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O Bloco de Esquerda (BE) nos Açores considerou hoje que “não há motivos para celebrar” os resultados operacionais da transportadora aérea SATA em 2021, alegando que os números “mostram que nada mudou”.

Num comunicado de imprensa enviado hoje às redações, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia Legislativa Regional refere que, “pelo que se conhece dos resultados do grupo SATA no ano de 2021, só se pode concluir que, infelizmente, nada mudou com este Governo”.

E “nem os resultados que continuam em terreno muito negativo”, aponta o Bloco.

O partido refere ainda que “a única informação disponível” é “o comunicado da administração”, uma vez que “o relatório e contas continua a não ser público”, o que “constitui mais um episódio de falta de transparência”.

“No entanto, estes números, sendo já de si negativos, não retratam os reais resultados do ano de 2021”, aponta ainda o BB/Açores.

Embora “ainda não tenha acesso ao relatório e contas com os detalhes de todas as rubricas”, o Bloco entende que os resultados de 2021 “estão em linha com os verificados em 2020, havendo apenas uma variação na ordem dos 7 milhões de euros”.

“Este facto, a juntar a outros, como a ingerência política que claramente se verifica na gestão do grupo e da sua operação, indicam que com este Governo Regional nada mudou na SATA, nem sequer os resultados”, lê-se ainda no comunicado do BE.

Para o Bloco, a “melhoria de resultados que a administração da SATA noticiou no seu comunicado não passa duma engenharia financeira de nível duvidoso a que não estávamos habituados”.

E “esta é a única novidade trazida pelo atual governo à gestão da SATA”, critica ainda o BB/Açores.

A transportadora aérea SATA teve, em 2021, um resultado antes de juros e impostos positivo e um resultado líquido negativo de –57,4 milhões de euros, uma melhoria de mais de 30 milhões face a 2020, segundo informou a companhia.

Em comunicado, divulgado na terça-feira, a SATA revelou que o “resultado líquido consolidado melhorou em mais de 30 milhões de euros” no ano passado, comparativamente a 2020 (quando o prejuízo se fixou em 88 milhões), continuando, contudo, em “terreno negativo” no valor de -57,4 milhões de euros.

“Apesar da melhoria substancial, os resultados líquidos continuam em terreno negativo, pressionados também pelos juros da dívida histórica e da dívida contraída durante o combate à pandemia [de covid-19], que ascenderam, em 2021, a 29,7 milhões de euros”, indica a transportadora.

A companhia destaca que fechou 2021 com um EBITDA (resultados operacionais antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 5,7 milhões de euros, sendo a “primeira vez nos últimos cinco anos” que aquele resultado é positivo.

O EBITDA positivo foi conseguido apesar de um “clima de instabilidade permanente da procura” e de um “ambiente de mobilidade particularmente adverso”.

A transportadora adianta que registou em 2021 uma “receita total consolidada de 186,2 milhões de euros”, o que representa um “crescimento de 57,2% em relação ao ano anterior”.

“Este é um crescimento entusiasmante, quando comparado com o setor da aviação na globalidade e em face das circunstâncias ainda bastante adversas”, lê-se na nota de imprensa.

Comparativamente a 2019, a companhia informa que a “quebra na receita registada no grupo SATA situou-se em cerca de 47 milhões de euros”.

Os resultados dizem respeito ao grupo SATA constituído pela SATA Air Açores (responsável pelas ligações entre ilhas), pela Azores Airlines (que liga os Açores ao exterior) e pela SATA Gestão de Aeródromos.

A SATA Air Açores, por si só, “apresentou um crescimento de lugares utilizados de 75% em relação ao ano anterior, ficando apenas cerca de 17% abaixo de 2019”.

A Comissão Europeia aprovou, em 07 de junho, uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea açoriana SATA, de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais.

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