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“Os VMOCs [Veículos Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis] estão na reestruturação”, começou por dizer Luís Filipe Vieira à deputada Mariana Mortágua (BE) durante a sua audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, como grande devedor do banco.

“Os 160 milhões de euros são pagos com a reestruturação que nós fizemos agora, porque é por aí que o banco vai buscar o dinheiro”, disse o também presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, confirmando que os títulos vencem em agosto.

“Eles valem. Mal começarem a desenvolver, vai ver o valor que eles vão ter”, projetou Luís Filipe Vieira, uma visão que foi contestada pela deputada bloquista, que o confrontou com a falta de pagamentos nos últimos 10 anos.

A deputada do BE disse que os VMOC não estavam incluídos no fundo de reestruturação da dívida da Promovalor ao Novo Banco criado em 2017 e geridos pela C2 Capital Partners de Nuno Gaioso Ribeiro.

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Luís Filipe Vieira, depois de consultar o seu advogado durante quase um minuto, disse que aqueles veículos financeiros “vão converter-se em capital” da Promovalor.

Mariana Mortágua conclui então que “o Novo Banco vai ficar acionista da Promovalor”, tendo Luís Filipe Vieira confirmado e adicionado que “é por essa via que vai receber tudo”.

“Após o pagamento do fundo, todo o remanescente irá para a Promovalor”, disse Luís Filipe Vieira, confirmando depois que o valor servirá “para pagar os 160 milhões de euros” em dívida provenientes dos VMOC.

“Há pagamento”, garantiu Luís Filipe Vieira, dizendo que vai entregar ao parlamento “o acordo de reestruturação”.

Mariana Mortágua resumiu que “o Novo Banco vai converter esses VMOC e vai tornar-se acionista da Promovalor”, e que “quando toda a dívida do grupo for paga aravés do fundo Capital Criativo [antiga designação da C2 Capital Partners], se sobrar dinheiro, esse dinheiro irá para a Promovalor, e é dessa forma que O Novo Banco espera poder ser ressarcido dos 160 milhões que investiu”.

“E dá”, garantiu Vieira, dizendo que “o contrato é bem claro” e que “os ativos estão lá, bem claros, e todos eles têm valor”.

O presidente da Promovalor referiu até que “essa é a única via que tem para receber”.

Luís Filipe Vieira já tinha sinalizado, durante a audição de cerca de cinco horas, que os VMOC foram “uma maneira de contornar uma situação de determinados empreendimentos que tinha de lançar mais rápido”.

Os VMOCs “devem estar a vencer, se não for este ano é para o próximo”, segundo Luís Filipe Vieira, acrescentando que “está feito um acordo de reestruturação” no fundo que adquiriu os seus créditos junto do Novo Banco.

Na audição, o deputado João Paulo Correia (PS) referiu-se a um relatório secreto do Banco de Portugal (BdP) que dava conta de uma exposição líquida da Promovalor de 208 milhões de euros e uma imparidade de 202 milhões nas contas do Novo Banco.

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