O banco submarino Condor, onde decorrem estudos científicos que permitem monitorizar as dinâmicas ambientais e biológicas de várias espécies demersais, tem um novo sistema radar associado ao sistema identificador automático de embarcações (AIS) para vigilância e fiscalização, operado pela Inspeção Regional das Pescas.

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou hoje, na Horta, que este banco, encerrado à pesca desde 2010 enquanto observatório científico, “é, talvez, o banco mais estudado no mundo”.

“O Condor é um exemplo internacional em termos de investigação e reconhecido nos meios científicos”, frisou Gui Menezes.

Segundo o governante, através deste banco, “tem-se recolhido imensa informação e aumentado o conhecimento sobre o funcionamento de ecossistemas, contribuindo para a pesca e para a ciência”, congratulando-se por, “em diálogo com o setor, se ter conseguido criar esta área”.

O Secretário Regional falava na apresentação do sistema radar e do identificador automático de embarcações (AIS), instalado há um mês, e que contou com a presença de autoridades marítimas, associações do setor, pescadores e armadores.

Durante a apresentação, foi recriada uma situação prática de utilização do equipamento, com a colaboração da embarcação ‘Águas Vivas’, do Departamento de Oceanografia e Pescas, a pairar junto à coroa do Banco Condor, numa demonstração em tempo real.

“Todos temos de ter consciência de que a pesca ilegal e a fuga à lota são fenómenos que prejudicam a pesca e os pescadores que cumprem com as normas em vigor, bem como os ecossistemas e os recursos marinhos”, afirmou Gui Menezes.

Neste sentido, alertou para a necessidade da implementação de medidas precaucionarias, “com vista à sustentabilidade dos recursos pesqueiros dos Açores”.

“É preciso garantirmos recursos para os netos dos netos dos nossos netos”, disse.

Gui Menezes reiterou que a área do Condor “tem de ser fiscalizada”, acrescentando que “o novo sistema é muito eficaz”.

O titular da pasta das Pescas apontou ainda a Associação de Produtores de Espécies Demersais dos Açores (APEDA) enquanto “parceiro importante” na proteção desta área, referindo que sugeriu a instalação de um sistema radar, por ser mais eficaz.

Este radar, que funciona continuamente, será estendido a outros locais com condicionamentos à atividade da pesca, nomeadamente às ilhas do Pico, São Jorge e São Miguel.

Os dados deste novo sistema estão disponíveis para todas as entidades que fazem fiscalização no mar, nomeadamente a GNR, a Autoridade Marítima e o Comando Naval, no sentido de garantir uma fiscalização efetiva e coordenada.

O radar, que pode ser acedido também através do telemóvel, pretende ser “um dissuasor da pesca ilegal”, considerando a sua capacidade de deteção em direto.

“Temos uma área vastíssima de mar, e temos de partir para a instalação deste tipo de sistemas, bem como imagens de satélite”, referiu o Secretário Regional.

Gui Menezes afirmou que as Áreas Marinhas Protegidas “têm de ser efetivas”, acrescentando que, “cada vez mais, a tendência será a de utilizar este tipo de tecnologias para que estas zonas sejam vigiadas”.

O Condor, situado a cerca de 17 quilómetros da ilha do Faial, é um dos bancos submarinos mais acessíveis para a comunidade científica, já que a maioria destes bancos se encontra no oceano profundo e em mar alto, longe da costa das ilhas.