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As autoridades norte-americanas comprometeram-se a instalar mais piezómetros (equipamentos de monitorização de aquíferos) na ilha Terceira, para avaliar o impacto da contaminação provocada pela Força Aérea norte-americana, adiantou hoje o vice-presidente do Governo Regional dos Açores.

“Ficou acertado que irão instalar mais piezómetros para chegarem a uma conclusão mais definitiva e determinarem o risco para a saúde e para o ambiente dos residentes”, afirmou, em declarações à Lusa, o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima.

A decisão foi comunicada na 47.ª reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América, que decorreu, na quarta-feira em Washington, nos Estados Unidos, e na qual Artur Lima participou.

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na ilha Terceira, provocada pelo armazenamento e pelo manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes.

Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

Segundo o vice-presidente do Governo Regional, foram já entregues as conclusões preliminares de um estudo conjunto do departamento de engenharia civil da Força Aérea norte-americana e do LNEC, que deverão agora ser “alvo de análise”.

Na próxima reunião da comissão bilateral, que deverá ocorrer em novembro, em Portugal, Artur Lima espera que existam já “mais algumas conclusões” desse trabalho e que as autoridades norte-americanas apresentem “medidas concretas” de descontaminação.

“O estudo preliminar indica que pode existir o risco para a saúde humana e para o ambiente, mas para termos a certeza temos de instalar mais piezómetros, ver realmente o fluxo das águas como anda, para depois, se existir esse risco, [identificar] onde existe e a sua quantificação”, afirmou.

O governante disse que houve um “diálogo direto” entre a delegação dos Açores e as autoridades americanas, que resultou num compromisso de resolução da contaminação.

“Os Estados Unidos vão-se empenhar na resolução do problema. Isto ficou, pela primeira vez, escrito na ata da comissão bilateral permanente, fruto do esforço intenso que a vice-presidência tem feito, numa postura de diálogo, mas exigente e sem ceder”, frisou.

Para Artur Lima, o compromisso das autoridades norte-americanas com a descontaminação de solos e aquíferos na ilha Terceira “teve uma grande evolução” face “àquilo que foi feito no passado”.

“Julgo que é um progresso extraordinário da diplomacia, entre aspas, açoriana”, apontou.

O vice-presidente do executivo açoriano propôs ainda o rejuvenescimento do contingente laboral português na base das Lajes, para permitir a “fixação de jovens qualificados na ilha Terceira”.

“Propus que se pudesse fazer uma renovação da força laboral das Lajes, aceitando que os trabalhadores perto da idade da reforma possam ir para a reforma mais cedo”, avançou.

O objetivo, segundo Artur Lima, é substituir esses trabalhadores mais velhos “por jovens qualificados açorianos”, com a condição de “não haver diminuição da força laboral, em caso algum”.

O governante disse que as autoridades norte-americanas “aceitaram analisar a proposta”, que deverá voltar a ser discutida “na próxima bilateral”.

Artur Lima sugeriu ainda que a próxima reunião da comissão bilateral permanente ocorra na ilha Terceira, o que “foi recebido com muito agrado”.

A decisão está dependente das “condições logísticas” existentes, mas conta com o “empenho” da cônsul dos Estados Unidos da América nos Açores, revelou.

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