Autoridade de Saúde dos Açores admite demora na comunicação de resultados

Foto: JEdgardo Vieira

A Autoridade de Saúde Regional dos Açores admitiu hoje alguma demora na comunicação de resultados de análises à covid-19 a passageiros à espera de autorização para viajarem para outra ilha, justificando-o com o maior volume de testes realizados.

“Temos alguns casos que coincidiram com o maior volume de testes que fizemos aqui na região. São situações que temos vindo a acompanhar, em algumas dessas situações já foram dadas autorizações para o regresso à ilha de residência, alguns dos casos já estão na sua ilha de residência e há alguns que ainda subsistem e que as delegações de saúde não terão comunicado os resultados por via do volume que houve”, afirmou o responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores.

Tiago Lopes, que é também director regional da Saúde, falava, em Angra do Heroísmo, num ponto de situação sobre a evolução do surto da covid-19 no arquipélago.

Actualmente, apenas as ilhas Terceira e São Miguel têm ligações aéreas com o exterior do arquipélago, através da TAP, e as viagens interilhas estão reduzidas a transporte de carga e ao transporte excepcional de passageiros, com autorização da Autoridade de Saúde Regional.

Os passageiros que têm como destino final outras ilhas que não Terceira e São Miguel só obtêm essa autorização, após 14 dias de quarentena e um teste negativo à infecção pelo novo coronavírus.

Desde o início de março, os dois laboratórios de referência dos Açores já realizaram perto de 20 mil análises à covid-19, estando ainda a aguardar colheita de amostra ou resultado laboratorial 1.421 pessoas (a maioria referente a rastreios).

“Num dos dias desta semana tivemos cerca de 1.000 análises processadas. É natural essa sobrecarga a diversos níveis, no que diz respeito às análises e aos respectivos resultados”, sublinhou Tiago Lopes, acrescentando que os resultados passaram a ser comunicados por SMS para “agilizar o processo”.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, anunciou na segunda-feira que as ligações interilhas seriam retomadas “de forma gradual” a partir de sexta-feira.

Questionado sobre a forma como essas operações seriam retomadas e sobre a suspensão das quarentenas obrigatórias para quem viaja entre ilhas, Tiago Lopes disse apenas que a circular normativa em vigor estava a ser “revista”, sem revelar pormenores.

“Muito em breve iremos emitir as orientações e recomendações e os procedimentos a ter para que se efective essa retoma”, avançou.

Os Açores não registam novos casos de infecção há mais de uma semana e têm actualmente seis casos positivos activos, cinco na ilha de São Miguel e um na ilha do Pico, que, segundo o responsável da Autoridade de Saúde Regional, poderá estar já curado.

Em causa está uma criança de três anos, por isso as autoridades de saúde deram “o devido tempo” para voltar a realizar a colheita de amostras.

“Sem pressa de ‘zerar’ o número de casos positivos activos na região — não é esse o nosso intuito –, estamos a dar o devido tempo, para que, atendendo aos casos positivos activos que temos neste momento na região, possamos com a devida calma fazer os respectivos testes”, afirmou.

Desde o início do surto foram confirmados 146 casos da covid-19 nos Açores, tendo ocorrido 124 recuperações (em seis ilhas) e 16 óbitos (em São Miguel).

A ilha de São Miguel é a que registou mais casos (108), seguindo-se Terceira (11), Pico (10), São Jorge (sete), Faial (cinco) e Graciosa (cinco).

Das sete cadeias de transmissão local detectadas na região, apenas duas estão ainda ativas: uma na ilha do Pico e outra na ilha de São Miguel, que envolveu 74 pessoas e tem actualmente apenas três casos positivos activos.

Nas últimas 24 horas foram detectados apenas sete casos suspeitos, na ilha de São Miguel (cinco dos quais com resultado negativo e dois à espera de colheita ou resultado), mas foram realizados 463 testes, no âmbito de rastreios.

Nas escolas das seis ilhas que registaram casos da covid-19, que retomaram as aulas presenciais nas disciplinas em que há exame nacional, foram testados 4.281 docentes, funcionários e alunos, estando ainda aguardar colheita ou resultado outros 273.

Nos lares de idosos e casas de saúde, realizaram-se 2.366 testes a funcionários e utentes, estando ainda a aguardar colheita ou resultado outros 819.