PUB

Os presidentes de câmara da ilha das Flores, Açores, manifestaram hoje preocupação com os impactos provocados pelo mau tempo no único porto comercial da ilha, alertando que a infraestrutura “já estava frágil” desde a passagem do furacão Lorenzo.

A forte agitação marítima que se registou nos Açores durante o fim-de-semana fez com que fossem arremessadas, para o interior da baía do porto de Lajes das Flores, pedras do antigo quebra-mar e a infraestrutura portuária está encerrada desde sábado, aguardando-se uma melhoria das condições meteorológicas para uma inspeção junto ao cais.

“Estamos preocupados e a acompanhar a situação, porque é o único ponto comercial da ilha e o abastecimento marítimo está condicionado a este porto”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, José Carlos Mendes (PS), em declarações à agência Lusa.

PUB

O autarca lembrou que a infraestrutura portuária “está em reconstrução”, devido à destruição do molhe, na sequência da passagem do furacão Lorenzo, em outubro de 2019.

“O funcionamento da ilha está dependente daquele porto. E, portanto, a infraestrutura tem de estar sempre a funcionar”, sublinhou José Carlos Mendes.

Segundo o autarca, a economia da ilha “está toda dependente do porto comercial” e qualquer situação que ocorra com a infraestrutura portuária tem implicações “nas empresas, no comércio e particulares”.

“É sempre mais um revés. A estrutura está frágil, porque foi destruída pelo furacão e está em reconstrução. E quando estas situações acontecem, são sempre motivo de preocupação, porque está em causa o abastecimento à ilha das Flores”, vincou.

O autarca de Santa Cruz das Flores disse que “neste momento” não faltam bens na ilha.

“O Governo Regional já disse que está assegurado o abastecimento, mas estamos a falar em abastecimentos mínimos que serão feitos através da Força Aérea ou da SATA”, considerou.

Também o autarca de Lajes das Flores, Luís Maciel (PS) afirmou que a operacionalidade do porto “é sempre um motivo de preocupação” e disse aguardar com expectativa a inspeção de mergulhadores.

“O porto está limitado desde o furacão Lorenzo. Atualmente a ponte-cais tem estado operacional e a garantir o abastecimento à ilha e foi uma infraestrutura recentemente construída depois do furacão”, assinalou à Lusa.

Luís Maciel sublinhou a importância “crucial” da infraestrutura portuária para o abastecimento à ilha.

“Mas, com certeza que o abastecimento será feito se não for pela operação normal do navio, pelo menos é essa a garantia que tenho do Governo Regional, com quem tenho mantido contactos regulares”, referiu.

O autarca Luís Maciel explicou ainda que “o navio escala normalmente a ilha de 15 em 15 dias” e, “por vezes, acontece haver rutura de um ou outro produto”.

“Mas os florentinos já lidam com isso com alguma naturalidade. Bens essenciais nunca têm faltado, em caso de necessidade são acionados outros meios, nomeadamente as Forças Armadas e a SATA”, assinalou.

A inspeção ao porto das Lajes das Flores está dependente da melhoria das condições meteorológicas e só deverá acontecer “na quarta ou quinta-feira”, segundo revelou hoje à Lusa o capitão do Porto de Santa Cruz, João Manuel Mendes Cabeças.

“Será realizada uma inspeção junto ao cais. Mas, em termos de mar, ainda não existem condições. Talvez para quarta ou quinta-feira, com a melhoria do tempo”, explicou João Mendes Cabeças.

Em 21 de outubro a operacionalidade do Porto das Lajes das Flores foi reposta com a primeira atracação do navio “Monte da Guia” na nova ponte-cais, entretanto construída.

O projeto do porto para repor “definitivamente” a capacidade portuária da infraestrutura das Lajes das Flores tem previsão de lançamento de procedimento concursal no primeiro trimestre de 2023 e a obra deverá ficar concluída até final de 2028.

Pub