Aumento de suicídios na polícia francesa preocupa sindicatos e governo

Oito polícias franceses, entre eles três das brigadas especiais antimotim e um comandante, cometeram suicídio nos últimos meses, elevando para 64 os registos deste ano na polícia do país, anunciaram as autoridades.

As mortes por suicídio na polícia francesa, que abrangem todas as idades e estão a acontecer por todo o país, já levaram os sindicatos a exigir mais apoio para parar um problema de saúde pública que se tem vindo a agravar.

Um inquérito parlamentar tornado público em julho fez uma lista de motivos para o stress e desespero na polícia francesa, incluindo excesso de trabalho, acentuado desde a série de ataques terroristas que começaram em janeiro de 2015, até aos violentos protestos antigovernamentais iniciados em novembro pelo movimento “coletes amarelos”.

“A continuar a situação atual, 2019 deverá ser o pior dos últimos 30 anos”, avaliou Denis Jacob, dirigente sindical da União Alternativa da Polícia.

Um relatório do senado divulgado no ano passado, indicava que a taxa de suicídio na polícia francesa era 36% mais elevada do que a da população em geral, mas não apontava razões especiais para esta diferença.

“Nós não sabemos as razões”, declarou o ministro do Interior, Christophe Castaner, em abril, quando anunciou um novo plano de prevenção para o suicídio na polícia, sublinhando o insucesso das autoridades na tentativa de resolver este problema de saúde pública.

Por seu turno, o diretor nacional da polícia, Eric Morvan, enviou cartas a todos os agentes, encorajando-os a tomar consciência do que sentem, e a falar “sem terem medo de serem julgados”, sustentando que “falar sobre o desespero não é um sinal de fraqueza”.

Um relatório de especialistas divulgado recentemente aponta o trauma psicológico resultante das situações violentas como um fator de risco para o suicídio, que pode ser aumentado por outras razões, e levar a uma crise e ao suicídio, nomeadamente a hipervigilância constante em caso de potenciais ataques terroristas.

Os especialistas dizem, no entanto, que ao longo dos ataques terroristas, a atuação da polícia elevou a sua imagem perante o público, mas os posteriores protestos dos coletes amarelos deitaram por terra a aura de heróis, quando a raiva dos manifestantes se voltou contra os agentes.