Associação junta em almoço de Natal em Ponta Delgada 150 pessoas em situação de exlcusão social

Um total de 150 utentes da Associação Novo Dia, nos Açores, que apoia pessoas em situação de exclusão social, participa na quinta-feira num almoço de Natal preparado pelos funcionários da instituição para atenuar a falta de laços afetivos.

“São pessoas que muitas vezes têm problemas familiares desde a infância. Não tiveram uma família que atendesse a todas as suas necessidades, principalmente afetivas, e depois têm problemas de personalidade e falta de competências para uma vida normal”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação com base em Ponta Delgada, Paulo Fontes.

Segundo o responsável, a Novo Dia dispõe de dois centros de acolhimento – um para homens e outro para mulheres – e uma residência mista, apoiando cerca de 100 utentes, pessoas sem abrigo, ex-reclusos, ex-toxicodependentes e deportados dos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá que chegam aos Açores.

“O almoço, na sede dos escuteiros [de Ponta Delgada], tem a particularidade de ser confecionado pelos funcionários da associação, com o apoio de uma padaria, já que a ajuda financeira disponibilizada habitualmente por empresas para este evento de Natal foi este ano inferior ao orçamentado”, explicou.

Paulo Fontes salientou que o convívio, mais do que proporcionar uma refeição, é “uma forma de dar algum alento” nesta época a pessoas que se continuam a debater com “graves problemas de inserção social, devido a dificuldades que já veem desde a infância”.

“Temos que pensar em estratégias que deem sentido nesta quadra a quem não se enquadra no padrão normal de uma família tradicional, quer seja por opção, quer seja por ‘handicap’ [menor capacidade de inserção] social”, frisou.

O responsável alertou para o aumento do número de utentes com casos de “toxicodependência, ex-reclusos e ainda jovens com um percurso de institucionalização e sem apoio de retaguarda da família”.

“Temos menos utentes que foram deportados dos EUA, mas mais ex-reclusos e muitos jovens que já foram institucionalizados, desde a infância, e chegam à idade adulta com um processo de inclusão que não correu bem e temos que apoiá-los”, disse, alertando para a existência de “muitos casos de jovens com mais problemas psiquiátricos” também em virtude do “consumo de drogas”.

Paulo Fontes destacou que em muitas situações “é possível voltar a estabelecer” os laços afetivos à família, mas noutras situações “há uma rutura e falta de apoio familiar”.

O responsável da Novo Dia adiantou ainda que a associação tem estado a desenvolver uma ação de rua junto dos sem-abrigo em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, para que até ao Natal ninguém passe a quadra na rua, acrescentando que atualmente só uma ou duas pessoas é que ainda se encontram a dormir na cidade.

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