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“Se existem planos estratégicos para tudo, porque não criar um Plano Regional da Acessibilidade? Estamos a falar de criar as condições para podermos utilizar os nossos espaços e de um direito humano, que é a acessibilidade”, disse Tiago Valente, presidente da Access Azores, em declarações à agência Lusa, destacando a importância das acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada ou pessoas idosas com dificuldades de locomoção.

Segundo o responsável, a Associação enviou, em 2021, para a Assembleia Legislativa Regional, uma proposta com vista à elaboração de um Plano Regional da Acessibilidade, mas “ainda não há nenhuma luz verde”, pelo que a expetativa é que o documento, de “cerca de 20 páginas”, seja tido em conta “por parte de quem tenha esta temática à sua responsabilidade”.

A proposta explica “a importância e a necessidade de ter na Região Autónoma dos Açores um Plano Regional da Acessibilidade, ou seja, com um levantamento das condições atuais nos edifícios públicos e uma estratégia que permita sensibilizar desenhadores, arquitetos, engenheiros, entre outros agentes com responsabilidade nesta matéria”, adiantou.

“É preciso sensibilizar o erário publico, os funcionários públicos, as instituições, as instâncias, as direções, as autarquias, para a questão das acessibilidades, que “deve fazer parte integrante de todo e qualquer procedimento, decisão ou orientação política”, acrescentou.

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Tiago Valente mencionou à Lusa que “as maiores dificuldades” na acessibilidade nos Açores se colocam “em edifícios públicos, mas não só”.

“Como é possível que um determinado projeto de raiz não cumpra as leis da acessibilidade? Falamos de um decreto-lei que está em vigor em todo o território nacional, ou seja, não houve adaptação para a Região Autónoma dos Açores desse decreto-lei. E como é possível isto acontecer”, questionou.

Tiago Valente lembrou que um particular, quando constrói uma habitação nova, “tem de cumprir um conjunto de requisitos e obrigações”, mas há “espaços e edifícios públicos que não cumprem os requisitos de acessibilidade” e “não estão adaptados para pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada seja em cadeira de rodas ou pessoas idosas com dificuldades de locomoção.

“Devemos ter esta preocupação cívica de também exigir que os espaços sejam pensados para nós no nosso futuro”, referiu, o presidente da Access Azores, com sede na ilha do Faial, criada em novembro de 2013.

No fundo, frisou, “conseguir ver uma exposição, ir a um concerto, ir a um teatro, ir a qualquer sítio sem haver uma barreira que foi criada”.

Para a Access Azores, a questão da acessibilidade também deve “fazer parte integrante dos documentos estratégicos promovidos pelo Governo Regional, nomeadamente no Plano Estratégico de Turismo dos Apores e na atualização do Plano de Ordenamento Turístico da Região”.

“Não se trata só do acesso físico, mas também o acesso intelectual e o acesso sensorial aos espaços e ambientes”, vincou Tiago Valente.

A Access Azores promove hoje na ilha de São Miguel a primeira edição do “Sustainable and Small Scale Sport Tourism Events”, iniciativa que vai abordar o turismo desportivo e o impacto que os eventos turístico-desportivos têm no desenvolvimento local de um determinado território e neste caso na Região Autónoma dos Açores.

A mesma entidade organiza, na sexta-feira, é a sexta edição do “Fórum Empreendedorismo em Turismo Acessível e Sustentável”.

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